VOCÊ QUER SURFAR A INOVAÇÃO, E O CONEXÃO WK MOSTROU COMO

VOCÊ QUER SURFAR A INOVAÇÃO, E O CONEXÃO WK 2025 MOSTROU COMO

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Por Rodrigo Gonçalves

Quem ainda acha que inovação é sobre tecnologia, está pelo menos três ondas atrasado.

O Conexão WK 2025, realizado nos dias 3 e 4 de julho no Bela Vista Country Club, em Blumenau, foi o tipo de evento que não dá para assistir passivamente. É para quem quer sujar as mãos, não só postar frases prontas no LinkedIn. Com mais de 1.000 participantes, três palcos simultâneos, feira de negócios, networking intenso e mais de 50 palestras, o encontro mostrou que o futuro da gestão exige mais do que ferramentas — exige fôlego.

Fôlego para adaptar processos, rever modelos, reaprender a se comunicar com o cliente e, principalmente, tomar decisões difíceis em um cenário que muda todos os dias.

Logo na abertura, ficou claro que não estávamos em um evento qualquer. O nível dos palestrantes, a curadoria dos temas e a participação ativa do público mostraram que o ecossistema de tecnologia, gestão e empreendedorismo do Sul do Brasil está mais maduro — e mais inquieto do que nunca.

A Hallo Magazine! marcou presença no evento e tivemos o privilégio de conversar com 3 dos principais palestrantes do evento.

No palco principal, Marcio Tomelin, Diretor de Produto e Mercado da WK, entregou uma das falas mais contundentes do evento. Sem rodeios, ele abordou a convergência entre inteligência artificial e reforma tributária, e como essa união vai obrigar as empresas a reorganizarem seus dados, sua lógica de processos e suas decisões estratégicas. Foi um convite (ou um alerta) para entender que a IA real — aquela que transforma — não existe sem contexto e preparo tributário. Uma fala técnica, mas extremamente aplicável para quem vive o dia a dia da gestão.

“A reforma tributária é a porta de entrada para a inteligência artificial nas empresas”

Em entrevista concedida logo após sua palestra, Marcio Tomelin, Diretor de Produto e Mercado da WK Sistemas, foi direto ao ponto: a inteligência artificial só será útil para as empresas que estiverem preparadas para entender e reorganizar seus dados tributários.

“A IA não vai funcionar em cima de bagunça. Ela precisa de contexto, e o novo contexto da reforma tributária é justamente a chance de organizar os dados que antes ficavam escondidos em planilhas e notas.”

Marcio defende que a reforma, muitas vezes vista como um fardo, é na verdade o momento ideal para transformar processos fiscais em inteligência de negócio. Segundo ele, empresas que se anteciparem e aproveitarem essa virada conseguirão modelar sistemas inteligentes sob medida, ao invés de depender de soluções genéricas.

“É como treinar uma IA especialista para o seu negócio. Mas para isso, você precisa saber o que ensinar.”

Camila Renaux, especialista em marketing e estrategista premiada, trouxe um frescor provocador para o palco de comunicação. Em vez de fórmulas, ela ofereceu direção. Ao defender a autoridade construída com autenticidade e inteligência, Camila mostrou como a IA pode ser usada não para automatizar o que é raso, mas para escalar o que é único. Seu discurso foi direto, bem-humorado e recheado de exemplos práticos que desafiam o marketing tradicional e as “modinhas digitais”.

Camila Renaux no palco do Conexão WK 2025. Foto Rodrigo Gonçalves

“Autoridade se constrói com estratégia, não com fórmulas prontas”

Referência nacional em marketing estratégico e digital, Camila Renaux compartilhou uma visão contundente sobre o uso inteligente da IA no posicionamento de marca. Para ela, o erro mais comum hoje é usar inteligência artificial para replicar padrões ao invés de destacar o que torna uma marca única.

“O empreendedor quer escalar autoridade, mas acaba escalando mais do mesmo. A IA não é varinha mágica. Ela é uma lupa — ela amplia o que você já tem de bom… ou de raso.”

Na entrevista, Camila também alertou sobre a falsa sensação de produtividade gerada por ferramentas automáticas que criam conteúdo sem propósito. Ela reforça que IA deve servir à estratégia, não substituí-la.

“Antes de perguntar ‘qual IA usar’, pergunte ‘o que quero construir com ela’. Senão, você troca profundidade por volume — e aí perde autoridade.”

E então veio Porã Bernardes, Head das Rádios da NSC, com a palestra mais humana do evento. Com mais de 30 anos de estrada na comunicação, ele usou o surfe como metáfora — e fez todo mundo refletir. Inovar, segundo Porã, é como remar antes da onda: dá trabalho, exige preparo, nem sempre vem recompensa imediata, mas sem remar, não se surfa nada. Em tempos de pressa e atalhos, sua fala foi um banho de sensatez e profundidade.

“Inovar é remar quando ninguém está vendo”

Com mais de 30 anos de atuação na comunicação, o jornalista e Head de Rádios da NSC, Porã Bernardes, trouxe uma entrevista recheada de metáforas e verdades difíceis. Para ele, a inovação verdadeira não começa com uma ideia, mas com cultura, escuta e comunicação autêntica.

“Todo mundo quer surfar a inovação, mas pouca gente aceita remar. Remar é a parte sem glamour, onde você se cansa e pensa em desistir. Mas é isso que te leva até a onda.”

Porã destacou a importância de permitir o erro como parte do processo, algo que muitas organizações ainda não conseguem tolerar. E reforçou que líderes precisam investir menos em controle e mais em conversas reais.

“Inovação não nasce no PowerPoint. Ela nasce no café, no conflito bem resolvido, na reunião em que alguém se sente seguro pra dizer ‘isso não tá funcionando’.”

Entre cases práticos, provocações estratégicas e conversas nos bastidores, o Conexão WK 2025 nos lembrou de uma verdade que poucos admitem: inovar cansa. Mas não tem outro caminho. Quem quiser se manter relevante vai precisar deixar o palco da zona de conforto — e começar a remar.

E acredite: o mar está revolto, mas cheio de oportunidades.

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