Inspirados na Cop 30, a turma do segundo ano do Ensino Médio+Técnico em Jogos Digitais do Senac em Blumenau realizou na última quarta, dia 3, a atividade de Simulação de um debate entre nações para atualização da Carta da Terra. Na realidade, o documento foi apresentado na Conferência da ONU Rio-92 e lançado no ano de 2000, em Haia, na Holanda. Em Blumenau, a atividade faz parte do projeto-piloto Simulação Senac, que está sendo incluído no currículo do Ensino Médio 2026 no estado.
Com 25 anos de experiência neste trabalho, o sociólogo Pablo Alberto Reimers Quijada explica o objetivo: “As competências são feitas para o devir. Quando a gente faz uma entrevista de emprego, ninguém vai perguntar qual é a raiz de 35, por mais que seja importante sabê-la. Vão perguntar coisas mais complexas, como: você sabe lidar com a frustração? Você sabe trabalhar em equipe? Quais são os teus principais atributos para trabalhar em equipe, como você interage? Então temos uma demanda que a gente consegue antever a tal ponto que o jovem está aqui hoje, estuda, discute, pondera.”
A Sessão: conteúdo e adequação
Durante o processo, os alunos aprenderam a construir alianças, a escrever documentos de apoio que representam o voto e a defender a posição oficial do país em relação ao tema proposto. Divididos nas delegações da Dinamarca, Suécia, Itália e Alemanha, cada equipe estudou o seu país, seu contexto e seu histórico de votações em questões ambientais. Uma equipe de apoio organizou a sala, os materiais para votação, o protocolo do evento e as perguntas que direcionaram o debate no meio da cerimônia.

O aluno Henrique Vicente de Menezes, representante da Dinamarca, destacou a polêmica sobre a eliminação dos créditos de carbono: “Os créditos de carbono, costumeiramente usados como moeda de troca por favores, são hoje usados por países que geram os créditos sendo sustentáveis, e depois vendem para países não sustentáveis como forma deles continuarem suas práticas contra o meio ambiente.”, explica.
A representante da Itália, Valentine Domingues Boeira, citou a política de resíduos plásticos. Por fim, comemorou o resultado: “A nossa proposta foi bastante questionada, mas deu tudo certo e a nossa ideia de melhorias para a Carta da Terra foi aceita e estará na Eco30.”
Soft skills: política e relacionamento
As respostas dos alunos sobre as lições aprendidas durante a vivência são claras e bastante maduras: “Eu consegui ver como a política funciona e também como uma votação pode mudar facilmente, dependendo dos interesses dos diplomatas. A questão mais desafiadora foi o convencimento da tese. Você pode sair por cima das respostas e das alfinetadas, mas sair por cima e estar certo não significa necessariamente que você aprovou a sua proposta.”, comenta Lorenzo Henrique Molino Possamai, representante da Alemanha.
Samuel Felipe Gonçalves de Oliveira, da equipe da Suécia, ressalta o desafio em respeitar o lugar do outro e as diferentes culturas: “O que mais me chamou atenção foi pensar como um sueco. Por ser um país muito diferente do que a gente mora, pensar como eles pensam e tentar vivenciar as leis ambientalistas deles foi o mais desafiador do debate e da pesquisa em si.”
Henrique, da Dinamarca, cita a confiança: “Acho que o mais desafiador foi o debate em si no trabalho em equipe, de ter que confiar no outro para dizer o que a gente queria dizer. Às vezes você confia muito na pessoa, mas ela pode falar alguma coisa que você olha e fala ‘não era para ter dito isso’, mas a gente segue em frente.”
A analista do Ensino Médio do Senac SC, Anna Karina da Col, reforça que a metodologia desenvolve o protagonismo juvenil, envolvendo postura, oratória, respeito às diferenças, posicionamento, formação crítica e virtudes: “Esse tipo de atividade traz para eles uma questão de segurança, de postura, de argumentação, de respeito à fala do outro, de entender que a gente pode ter opiniões diferentes e continuar amigo, de fugir dessa polarização que a gente tem vivido tanto neste mundo.”
Avaliação e resultados: preparação para o futuro
O professor Albio Fabian Melchioretto, que acompanha a turma desde o ano passado e coordenou o processo, relata o progresso dos alunos: “A argumentação deles vem numa crescente. Isso é um somatório de todas as ações que a escola desenvolve. À medida que os estudantes vão se aproveitando de determinados conhecimentos, vão desenvolvendo habilidades. É possível perceber que não foi só um discurso decorado, mas entendido dentro das suas nuances. Eles se apropriaram do conhecimento, extrapolando as práticas normais de uma escola.”
Para Henrique, a principal contribuição da atividade foi “Conhecimento político. A gente teve um gostinho do que é a política em si. Isso é uma coisa essencial, boa parte da minha turma já tem idade para votar, então a gente precisa começar a ter noção. A gente vai definir o futuro do país, a gente tem voz na política agora, então é muito importante poder falar sobre isso.”
Para Albio, “essas metodologias transformam o espaço escolar, porque elas não ficam apenas no contexto da sala. Os alunos conversam com os colegas nos corredores, geram expectativa no entorno e possibilita que as escolas ultrapassem os próprios muros, com a prática de argumentação, de consulta, de discutir com o colega, de entender os limites de uma discussão, do respeito. Não há nenhum problema em se posicionar de maneira contrária, desde que se mantenha um certo equilíbrio na fala. Essa é uma metodologia que permite transcender os limites de uma escola mais tradicional.”
“Foi um modelo belíssimo”, opina Pablo sobre o resultado do projeto-piloto. “Os meninos engajaram, a coragem os abraçou, eles tomaram cuidados e aprenderam muito. É um primeiro passo de um grande caminho que eles vão ter.”, conclui.
Simulações em Santa Catarina, no Brasil e no mundo
Há vários tipos de Simulações realizadas em diferentes níveis com intercâmbios de escolas. A própria ONU seleciona jovens do mundo inteiro para participar de Simulações dentro da instituição. Condutor de um dos maiores projetos de Simulação do país, Pablo já enviou alguns alunos para a organização mundial. Em São Paulo, o evento de sua escola já recebeu alunos do Recife por dois anos seguidos e, para o próximo, contará com a participação de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
No estado, a Universidade Federal de Santa Catarina também promove o evento aberto, incluindo diferentes escolas. Em 2026, as unidades do Senac trabalharão para engajar os alunos no projeto, buscando aprimorar cada vez mais a formação dos jovens de maneira diferenciada.
Simulação Senac (projeto-piloto): Debate para Atualização da Carta da Terra
Delegações:
- Dinamarca:
- ANA CAROLINA WANZINACK
- EDUARDO GABRIEL CONTESINI SANTOS
- HENRIQUE VICENTE DE MENEZES
- NICKOLAS LUZ FERNANDEZ
- Suécia:
- AUGUSTO LUCIANI
- GUILHERME RADLOFF LIMA
- SAMUEL FELIPE GONCALVES DE OLIVEIRA
- VITOR GUIRADO DOS SANTOS
- Itália:
- DANIEL LUIZ HANK
- ISADORA MONTAGNA
- MOISES RAMOS ESPINDOLA
- SOPHIA GOMES BERNARDI
- VALENTINE MARIA DOMINGUES BOEIRA
- Alemanha:
- EMILY KIENEN
- JOAO PHILLIPE DA CUNHA
- LORENZO HENRIQUE PAULINO POSSAMAI
- MARIA GABRIELLE PEDROZO
- Equipe de apoio:
- JOAO CESAR RAQUEL
- JULIA BAPTISTA
- KAUA EDMO MARTINS GUARINELLI
- MARIA EDUARDA LOPES LEITE
Professor responsável: ALBIO FABIAN MELCHIORETTO

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