Especialista explica o que deve ser avaliado antes de se submeter a procedimentos estéticos injetáveis

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Nos últimos anos, procedimentos como botox, preenchimento e harmonização facial deixaram de ser tabu e passaram a integrar a rotina de cuidados estéticos de milhões de pessoas. Mas, enquanto a demanda cresce, aumentam também os alertas sobre segurança. No Reino Unido, o debate ganhou força após uma série de complicações graves ligadas a aplicações feitas por profissionais não habilitados, levando o governo a propor um sistema de licenciamento mais rígido para procedimentos estéticos não cirúrgicos.

A iniciativa britânica surge após episódios envolvendo o uso de toxina botulínica falsificada e preenchimentos realizados sem critérios técnicos, que resultaram em necrose de pele, infecções graves e até mortes. Autoridades de saúde do país passaram a reforçar uma mensagem central: procedimentos injetáveis não são tratamentos cosméticos simples, mas atos médicos que exigem formação, ambiente adequado e rastreabilidade dos produtos.

No Brasil não existe uma legislação específica que regulamente todos os procedimentos estéticos, cabendo ao conselho federal de cada profissão essa regulação. Embora a maioria dos procedimentos seja segura quando bem indicada, estudos recentes da Universidade de São Paulo (USP) acendem um sinal de alerta para procedimentos de harmonização orofacial: quando mal executados, apresentam riscos significativos de complicações oculares, podendo causar até mesmo cegueira.

A estética como ato de saúde

Para a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial Adriana Fabres, a popularização dos procedimentos acabou criando uma falsa sensação de simplicidade. “Existe uma banalização muito grande dos injetáveis. Botox e preenchimento não são ‘ajustes rápidos’, são procedimentos que exigem conhecimento profundo de anatomia, técnica e capacidade de reconhecer e tratar intercorrências”, explica.

Segundo ela, o primeiro passo antes de qualquer agendamento deveria ser a verificação da formação do profissional. “No Brasil, diferentes profissões da área da saúde são autorizadas pelos seus conselhos a atuar com estética. Mas essa autorização não é automática: ela exige capacitação específica, muitas vezes pós-graduação, e atuação dentro dos limites técnicos de cada área”, afirma.

Casos recentes no Brasil e campanhas internacionais reforçam que procedimentos estéticos também devem ser tratados como escolhas de saúde, não apenas de beleza, alerta a cirurgiã-dentista Adriana Fabres. Divulgação

No caso da odontologia, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) autoriza o cirurgião-dentista a realizar procedimentos de harmonização facial, desde que haja formação adequada. “A pós-graduação não é um detalhe. É nela que o profissional aprende anatomia facial aprofundada, farmacologia, biossegurança e como agir em situações de risco”, destaca a especialista.

Quando o risco não aparece no feed

Casos recentes noticiados pela imprensa brasileira indicam que complicações associadas a procedimentos estéticos injetáveis não são episódios isolados. Há registros de pacientes que sofreram perda de tecido facial ou comprometimento da visão após preenchimentos realizados sem planejamento técnico adequado. Em grande parte dessas situações, o problema não foi o produto utilizado, mas a falta de qualificação profissional, a escolha inadequada do local de aplicação e a ausência de preparo para identificar e conduzir as complicações.

“A complicação pode acontecer mesmo com bons produtos. A diferença está em saber identificar rapidamente o problema e agir”, explica a Dra. Adriana. “O perigo maior é quando o procedimento é feito por alguém que não tem preparo para reconhecer sinais de alerta ou não dispõe de estrutura para intervir.”

Segundo dados da Anvisa, a área de estética e embelezamento lidera o número de reclamações relacionadas a eventos adversos no país. Entre os principais fatores estão produtos sem procedência, ausência de avaliação prévia e realização de procedimentos em locais sem licença sanitária.

O que o paciente precisa checar antes de qualquer aplicação

Enquanto o Brasil ainda não conta com uma legislação única e clara para regulamentar todos os procedimentos estéticos, especialistas reforçam que o paciente precisa assumir um papel ativo na própria segurança. Para a Dra. Adriana Fabres, algumas perguntas são indispensáveis antes de qualquer aplicação:

“É fundamental saber qual é a formação do profissional, se ele tem registro ativo no conselho, qual produto será utilizado (e se possui aprovação da Anvisa). Além disso, também é essencial saber se a clínica possui licença da vigilância sanitária e observar os materiais utilizados no procedimento, que devem ser esterilizados quando reutilizáveis ou descartáveis quando de uso único, seguindo normas de biossegurança.”, orienta.

Ela ressalta que número de seguidores e fotos de antes e depois não devem ser critério de escolha. “Imagem bonita não garante segurança durante a aplicação nem na condução do pós-procedimento”, conclui.

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