Jacarandá preservado organiza arquitetura de residência assinada pelo RAWI Arquitetura

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Em meio à vegetação característica da Granja Viana, em São Paulo, a Casa Bosque foi desenvolvida como uma extensão da paisagem. Assinada pelo escritório RAWI Arquitetura, a residência de 350m² ocupa um terreno de 1200m² marcado pela presença de um bosque preservado para receber um pai e seus três filhos. O projeto traduz um diálogo sensível entre arquitetura e natureza, tendo como premissas a convivência, o conforto e o respeito ao meio ambiente. 

A arquitetura se organiza em torno de um jacarandá preservado, situado no centro da casa, que estrutura o pátio central. Esse vazio torna-se o núcleo espacial do projeto, articulando os ambientes sociais, íntimos e de serviço e estabelecendo uma relação intrínseca com o bosque ao fundo, do qual a árvore faz parte. Um banco e uma viga moldados in loco delimitam o contorno do jacarandá e enfatizam o gesto estrutural que organiza o espaço.

Implantada em “C”, a casa constrói um jogo preciso entre cheios e vazios, luz e sombra. Três elementos definem sua composição: o volume suspenso voltado para o bosque, o pátio central que estrutura a vida doméstica e uma caixa de concreto pigmentado que marca a fachada voltada para a rua.

Inspirada na tradição do brutalismo paulista, a arquitetura articula estrutura aparente, grandes vãos e materiais naturais. A composição volumétrica combina blocos brancos de geometria precisa com a caixa em concreto avermelhado da garagem, criando um gesto urbano expressivo. Na face voltada para o bosque, a casa se abre por meio de amplos vãos que emolduram as vistas para as árvores, dissolvendo os limites entre interior e paisagem. Um grande balanço no pavimento superior projeta o olhar para o bosque, enquanto um deck de madeira no nível social, também em balanço, reforça a relação com a natureza e cria um espaço de contemplação. Mesmo com o terreno em desnível, todo o térreo é acessível e o deck amplia esse horizonte.

O pátio central permite a ventilação cruzada nos ambientes e a entrada de luz pela face norte da área social, compensando a orientação sul voltada para o bosque, que recebe menor incidência solar. Nos dormitórios voltados para o bosque na face sul dos fundos, aberturas laterais voltadas para leste e oeste equilibram as condições de iluminação e permitem a ventilação cruzada. No espaço de pé-direito duplo, uma abertura zenital conduz luz natural ao interior e favorece a saída do ar quente.

A estrutura e a materialidade são assumidas como linguagem arquitetônica. Lajes de concreto aparente, pés-direitos generosos e aberturas amplas conduzem luz e ventilação ao interior, reforçando a continuidade espacial e o diálogo constante entre arquitetura e paisagem.

Nesse sentido, a Casa Bosque propõe uma arquitetura que não apenas se implanta na paisagem, mas passa a fazer parte dela. A árvore preservada, o pátio central e os volumes suspensos constroem uma experiência espacial em que natureza e arquitetura se entrelaçam, transformando o bosque em elemento constitutivo da própria casa.

RAWI Arquitetura – Arquiteto Raphael Wittmann

https://www.instagram.com/rawiarquitetura

Fotos Rafael Renzo 

https://www.instagram.com/rafaelrenzo_fotografia

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