Antes de chegar ao living ou à área íntima, o visitante do Loft O Limiar do Invisível, ambiente assinado por Lu Gibaile para a CASACOR SC | Balneário Camboriú 2026, atravessa uma galeria de arte. A escolha antecipa a lógica do projeto: neste espaço, a arte não surge como arremate, mas como origem da experiência.
Com 88,22 m², o loft reúne hall, living e quarto a partir do conceito de minimalismo sensorial. Poucos elementos, volumes baixos, luz precisa, texturas naturais e ausência de ruído visual estruturam um ambiente em que a percepção é conduzida aos poucos. A sofisticação aparece menos na demonstração e mais na maneira como cada decisão altera a permanência no espaço.

“A arte foi pensada como ponto de partida. Ela organiza o olhar, cria uma pausa e prepara o visitante para a atmosfera do loft”, afirma Lu Gibaile.
Entre Curitiba, Minas e a memória do morar
Logo no hall, uma parede de cor intensa marca a transição entre o exterior e o universo íntimo do ambiente. A tonalidade foi escolhida como um gesto de presença. Funciona quase como uma respiração mais profunda antes da entrada, um instante de suspensão em que o olhar muda de ritmo e começa a se afastar da pressa.
A galeria reúne trabalhos de Ana Serafin, Bruno Marcelino, Cristina Barrancos, Gabriela Costa, Jean Araujo, Juliane Fuganti e Marcus Andre, todos representados pela Galeria Zilda Fraletti, de Curitiba. As obras não estão ali para preencher paredes. Elas estabelecem cadência, densidade e silêncio. Recebem quem chega, conduzem o percurso e colocam a casa em diálogo com aquilo que permanece para além da função.

Para Lu, a relação entre arte e morar é também uma forma de construir vínculos. “Uma obra pode mudar a temperatura emocional de um ambiente. Ela provoca memória, abre perguntas e desperta percepções que nem sempre conseguimos traduzir em palavras”, diz a designer.
Em meio à curadoria contemporânea, o visitante encontra o Casal Mineiro, frequentemente chamado de João e Maria. A escultura, ligada à arte popular brasileira e ao acolhimento do interior de Minas Gerais, cria um elo afetivo com a terra natal de Lu Gibaile. Diante das obras contemporâneas, a peça aparece como uma lembrança da primeira casa, aquela que recebe antes mesmo da palavra e guarda uma delicadeza que não depende de explicação.
Essa camada de memória também se revela nas peças afetivas do acervo pessoal da designer, garimpadas em feiras e antiquários, que convivem com o mobiliário contemporâneo assinado. O novo e o antigo não são tratados como contraste, mas como tempos que se acumulam. O loft, assim, ganha uma dimensão biográfica, menos perfeita e mais próxima da vida.
Estrutura aparente, luz precisa e silêncio
A arquitetura parte do que já existia no imóvel, como piso em cimento, laje aparente, tubulações e paredes em MDF reaproveitado da edição anterior da mostra. Em vez de apagar essas marcas, o projeto as organiza. As paredes foram emassadas, a tubulação de esgoto recebeu fechamento em drywall para reduzir ruídos e criar unidade visual, e a iluminação foi distribuída por eletrocalhas, evitando o rebaixamento do teto e preservando o pé-direito.
A luz é tratada como matéria. Fitas de LED, spots deslocáveis, iluminação no piso entre as cortinas e tela tensionada com luz unilateral criam variações de sombra, profundidade e temperatura. No living, a ausência de televisão reforça a ideia de pausa e conversa. No quarto, a cortina translúcida em dupla camada preserva a intimidade sem interromper completamente a leitura do espaço.

“O loft foi pensado para uma mulher de 42 anos, art advisor e colecionadora de memórias, que vive entre grandes metrópoles, mas preserva uma relação íntima com o tempo, a arte e a introspecção. Para ela, a casa não é vitrine. É um ecossistema emocional”, explica Lu. No Loft O Limiar do Invisível, arte, luz, textura e silêncio constroem uma experiência de morar em camadas. Um espaço que não entrega tudo de imediato. Prefere revelar-se conforme o olhar desacelera.
Texto e divulgação: Casa de la Gracia Comunica
Fotos: Machiavelli Studio

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