Curvas transformam a arquitetura e o jeito de viver os espaços

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Basta um único elemento curvo para mudar completamente a interpretação de um ambiente. Seja uma bancada sem quinas, um sofá ou poltrona com formas orgânicas, um arco que conduz o olhar ou uma marcenaria. todas as expressões são capazes de romper a rigidez das linhas retas e imprimir mais movimento aos espaços. Essa linguagem conquista cada vez por transformar a maneira como as pessoas circulam, convivem e se relacionam com a casa.

“As curvas não entram apenas porque são uma tendência, mas sim por farem sentido na proposta do projeto residencial. Quando bem aplicadas, elas tornam os ambiente mais acolhedores, adicionam um contraste interessante com as linhas retas e uma atemporalidade que considero bastante interessante, pois não passam despercebidas”, argumenta a arquiteta Ana Rozenblit, à frente da Spaço Interior.

Em leituras revisitadas, a arquiteta Ana Rozenblit contempla as formas curvas tanto nos detalhes, atenuando o ângulo
de 90 graus no encontro de duas paredes, e em outras peças que se sobressaem nos ambientes | Projeto: Spaço Interior |
Fotos: Kadu Lopes (esq.) e Julia Herman (centro e dir.)

O que se ganha ao incluir curvas na arquitetura?

A ideia de notabilizar as formas orgânicas nos projetos encontra respaldo na psicoarquitetura, campo da neurociência e psicologia que compreende a relação entre pessoas e espaços construídos com ênfase nas emoções, subjetividade e a história do indivíduo. Estudos indicam que os contornos arredondados tendem a ser percebidos pelo cérebro como mais acolhedores e menos ameaçadores quando comparado com ângulos muito marcados.

“As curvas também permitem destacar componentes específicos como nichos, mobiliários, painéis e estruturas aparentes, reforçando a identidade do projeto sem abrir mão da funcionalidade”, completa a profissional. Quando aplicada de maneira equilibrada, esse código estabelece uma conexão entre arquitetura, marcenaria e decoração.

Veja algumas das possibilidades em que a arquiteta aproveita o recurso nos ambientes:

Curvas na cozinha

As ondulações também encontram sua ambientação nos projetos de cozinha. Ao eliminar quinas em ilhas e bancadas, o desenho favorece a circulação em seu retorno, entrega uma composição mais suave e garante a segurança dos moradores.

Executado pelo escritório Spaço Interior, a bancada com visual de pedra natural recebeu o cooktop e a marcenaria e exibe
as partes superior e frontal com curvatura. Para materializar esse desenho, a arquiteta Ana Rozenblit valorizou o trabalho artesanal
com os filetes aplicados lado a lado para acompanhar o raio da peça | Fotos: Julia Herman
Nesta outra cozinha, a coifa cilíndrica inserida pela arquiteta Ana Rozenblit comunica a leveza frente às linhas
retas da ilha e marcenaria | Projeto: Spaço Interior | Foto: Kadu Lopes

A continuidade da marcenaria curva

O traçado tornou-se ainda mais evidente na marcenaria, que por si desempenha um papel essencial nos projetos de arquitetura de interiores ao assumir a função de conduzir o olhar e conectar diferentes áreas do ambiente. Ao suavizar encontros entre paredes, pilares e painéis, o desenho reduz a rigidez das linhas ortogonais, resultando em uma percepção ininterrupta do espaço.

Neste apartamento, a arquiteta Ana Rozenblit incorporou a linguagem curvilínea à marcenaria que envolve o painel da
televisão da sala de TV e acompanha a transição entre paredes e pilares, além da parte que enaltece a discrição da
porta que dá acesso à despensa | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Julia Herman

Esse tipo de solução exige planejamento e precisão na fabricação, bem como a execução demanda processos específicos de usinagem, estruturação e acabamento para que o revestimento acompanhe perfeitamente o arqueamento.

Arcos reinterpretam estilos arquitetônicos

O topo curvo dos batentes e esquadrias de portas e janelas atravessaram diferentes períodos da arquitetura e, nos últimos anos, voltaram ao protagonismo em uma releitura contemporânea. Na opinião da profissional, o recurso funciona como molduras que inspiram a observação e distinguem os ambientes. “Ademais, podemos perfeitamente incluí-los apenas por seu apelo decorativo”, verbaliza.

Nesta reforma, os arcos originais do apartamento nortearam o projeto que aposta nas curvas como um dos pontos altos dos ambientes | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Julia Herman
Entretanto, a forma pode se configurar unicamente como um detalhe decorativo, assim como a arquiteta Ana Rozenblit apostou na realização do arco para valorizar a área onde inseriu a lareira ecológica do living | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Julia Herman

A expressão dos sofás curvos

As curvas também conquistaram o design mobiliário, especialmente nos sofás e poltronas, que deixaram de ser peças exclusivamente lineares para assumir visuais esculturais. Segundo Ana, esses modelos alteram a interpretação sobre como as pessoas ocupam o ambiente social, favorecendo uma disposição mais voltada para a interação e tornando as conversas mais naturais.

Nos sofás e poltronas orgânicos a história não é diferente. A arquiteta Ana Rozenblit esclarece que essa geometria amplia o campo de visão entre os usuários, propiciando um layout que incentiva o contato visual e a interação durante as conversas | Projeto: Spaço Interior | Projeto Spaço Interior | Foto: Kadu Lopes (esq. e centro) Rafael Renzo (dir.)
No projeto desta Penthouse, a arquiteta Ana Rozenblit empregou a sinuosidade do sofá verde que foi completada com
a referência mais clássica das formas curvas do sofá branco | Projeto: Spaço Interior | Foto: Kadu Lopes

Colunas passam a integrar a arquitetura

a arquitetura contemporânea, elementos estruturais como os pilares assumiram um papel ativo nos projetos de interiores. Sem considerar a possibilidade de escondê-los, a arquiteta é afeita a assumi-los como um recurso estético – tanto em sua versão natural, com a aparência do concreto –, ou revestidos por materiais que os valorizem.

À esquerda, o pilar curvo de concreto se agrega ao projeto tanto pela conexão com o sofá, como pela paleta cinza
predominante na varanda. Na imagem ao lado, o robusto elemento central exibe o trabalho de marcenaria que o
adornou – definições realizadas pela arquiteta Ana Rozenblit | Projeto: Spaço Interior | Foto: Kadu Lopes

Dormitório mais acolhedor

Por aqui, as curvas assumem um papel diferente daquele visto nas áreas de convivência. Elas cooperam no propósito de construir uma atmosfera de acolhimento, conforto e relaxamento.

No dormitório com ampla vista para a cidade de São Paulo, a cama estofada, o banco e a banheira de imersão favorecem
o clima de descanso idealizado pela arquiteta Ana Rozenblit | Projeto: Spaço Interior| Foto: Kadu Lopes

Sobre a Spaço Interior

Ana Venelli Rozenblit é arquiteta e fundadora do Spaço Interior Arquitetura, com atuação no Brasil e no exterior. Formou-se em Administração de Empresas, tem pós-graduação em Marketing, especialização em Design de Interiores pela Escola Panamericana de Arte e graduação também em Arquitetura e Urbanismo.

Com mais de 30 anos de carreira, desenvolveu mais de 10 mil projetos residenciais, corporativos e comerciais, mantendo um modelo de trabalho autoral, que funciona como um ateliê de arquitetura. Seus projetos já foram publicados em diversas revistas e plataformas especializadas, além de terem sido reconhecidos com prêmios do setor. Foi pioneira no segmento de arquitetura no Instagram, o que fez o escritório ganhar uma visibilidade sem limites nas mídias. Já formou inúmeros profissionais que hoje possuem seus próprios escritórios de sucesso.

É autora do livro Home & Happiness (2021), com projetos da Spaço Interior, e do livro As Protagonistas, que será lançado em 2026 trazendo sua trajetória profissional e pessoal. Ainda em 2026 vai lançar o 2º volume Home & Happiness, com obras atuais.

O Spaço Interior tem projetos entregues para importantes nomes brasileiros, como Camila Farani, Dony De Nuccio, Monica Salgado, Sabrina Parlatore, Mari Palma, entre outros.

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