Tem proteína, então é saudável?

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Café com proteína adicionada, sucos enriquecidos, bebidas com vitaminas, minerais e eletrólitos. Ingredientes antes mais associados à suplementação e à nutrição esportiva estão aparecendo em diferentes produtos do consumo cotidiano. A tendência acompanha a busca por praticidade, saúde e bem-estar, mas levanta uma dúvida: acrescentar um nutriente considerado saudável torna o produto automaticamente mais saudável?

Para a professora do curso de Nutrição do UNICESUSC e doutora em Ciência dos Alimentos pela USP, Fabiana Poltronieri, é preciso olhar além das palavras em destaque na embalagem. “Não podemos avaliar um alimento por um único ingrediente. Ter proteína, fibras, vitaminas ou minerais adicionados não transforma automaticamente um produto em saudável. É preciso observar a composição completa, a quantidade desses nutrientes e entender se existe uma necessidade real daquele consumo”, explica.

A proteína adicionada é um dos principais exemplos, hoje ela aparece não apenas em suplementos, mas também em cafés, bebidas prontas, sucos e outras opções voltadas à praticidade. “A palavra ‘proteína’ ganhou quase o status de selo de qualidade. Mas não basta olhar quantos gramas aparecem na embalagem. É preciso considerar a origem dessa proteína, os demais ingredientes do produto e principalmente para quem aquele consumo faz sentido”, afirma Fabiana.

O mesmo cuidado vale para produtos enriquecidos com vitaminas, minerais ou fibras. A presença desses componentes pode alterar a composição nutricional, mas não significa que o produto substitua suas fontes naturais na alimentação. “Uma bebida enriquecida não substitui automaticamente frutas, verduras, legumes, feijão ou cereais integrais. O alimento é muito mais do que a soma de nutrientes isolados”, ressalta.

O consumidor precisa virar a embalagem

Para Fabiana, um dos principais cuidados é não fazer a escolha apenas pelo que aparece na frente do rótulo. “Expressões como ‘proteico’, ‘zero’, ‘fonte de vitaminas’, ‘com fibras’ chamam atenção, mas precisamos olhar o conjunto. Não adianta destacar um nutriente considerado positivo e ignorar açúcar, sódio, gordura saturada, cafeína ou outros componentes.”

Bebidas isotônicas e produtos com eletrólitos também merecem atenção. Embora possam ser importantes em situações específicas de exercício físico e reposição nutricional, isso não significa que sejam necessários para todas as pessoas. “Existe uma diferença grande entre um atleta de alto rendimento e uma pessoa que pratica atividade física algumas vezes por semana. Nem todo exercício exige suplementação ou uma bebida específica. A indicação depende da intensidade, da duração da atividade e das necessidades individuais”, explica.

Isso também vale para vitaminas e outros nutrientes adicionados aos produtos. Em determinadas situações clínicas, esportivas ou nutricionais, eles podem ser úteis, mas a professora alerta para o risco de transformar uma possibilidade em necessidade. “Saúde não está em uma palavra impressa no rótulo, uma alimentação saudável é construída pelo conjunto das escolhas, pela variedade e pela qualidade dos alimentos”, afirma Fabiana.

Antes de escolher um produto por um benefício destacado na embalagem, a especialista sugere uma pergunta simples: “Eu realmente preciso disso?” Na dúvida procure um bom nutricionista pois ele saberá te orientar e esclarecer. Lembre-se que a melhor fonte de nutrientes está na feira livre te esperando!

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