Havia uma condição para abrigar as ideias deste projeto: atender, de forma fluida e orgânica, a necessidade de receber comportamentos diferentes durante o dia e à noite. Nos antigos 50m² que abrigavam um boteco no Campeche, ao Sul da Ilha de Santa Catarina, o escritório Jeferson Branco Arquitetura fez uma profunda reforma ampliando o espaço para receber o restaurante tailandês May e a doceria Fairyland em uma convivência harmoniosa e delicada.
Durante o dia, a doceria tem uma atmosfera mais solar, ligada ao encontro e ao estar, e à noite o restaurante propõe uma experiência mais introspectiva, com a luz baixa e outro ritmo. Essa mudança envolve a iluminação, as cortinas, a música, o atendimento e a própria gastronomia. O trabalho do arquiteto foi entender como o espaço poderia acompanhar esses diferentes momentos e acolher o público em cada um deles.
“A experiência depende dessa combinação entre arquitetura e operação”, aponta Jeferson.
Para começar, a paleta neutra parte principalmente de uma leitura do escritório sobre o território onde está localizado o empreendimento, o Campeche, e sobre um público mais conectado à natureza e atento às questões de sustentabilidade. Essa escolha permite perceber melhor as texturas e as diferenças entre os materiais. Para criar uma atmosfera acolhedora, surgem a madeira, o sisal, o bambu e a pedra, trazendo qualidades táteis e maneiras distintas de receber a luz.

Ainda nesse contexto, as paredes receberam o Toque da Terra, da Suvinil, cuja pigmentação é 100% mineral, obtida pela combinação de argilas, sem corantes sintéticos. As texturas e a origem dessa pigmentação dialogam com a proposta de aproximar o ambiente da terra e de olhar com mais atenção para os materiais especificados. Já o bambu tem uma participação muito forte porque também atua sobre a iluminação natural com a cobertura avançando pela varanda e se sobrepondo à parte interna, criando sombras e filtrando a luz que entra.

Ao ampliar dos pequenos 50m² para os atuais quase 200m², incluindo a varanda, o espaço reúne as áreas de permanência e atendimento, a vitrine da doceria, o bar e os setores de produção e apoio. A cozinha, por exemplo, se organiza em L, com áreas separadas para a confeitaria e para o tailandês. Havia a necessidade de manter essa separação e, ao mesmo tempo, resolver os fluxos comuns de entrada e saída. Mais uma vez, com distintas possibilidades: a confeitaria tem uma conexão direta com a vitrine voltada para o público, enquanto no restaurante a relação com o atendimento acontece de outra maneira, com a presença do bar. Para os profissionais envolvidos, articular esses setores foi uma das questões mais importantes da planta.
“Acho interessante como o projeto se relaciona com o Campeche, principalmente pela presença da vegetação, da varanda e dessa passagem tão fluida entre interior e exterior. O lugar participa da experiência. No fim, o mais gostoso foi criar um espaço que você pode conhecer durante o dia e redescobrir à noite. A comida, a música, a luz e a arquitetura trabalham juntas nessa transformação”, define o arquiteto.
https://jefersonbranco.com/@jefersonbranco

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