Inspirado no tema da CASACOR SC deste ano, ‘Mente e Coração’, a arquiteta Arantxa Severo trouxe para o Living Manifesto um ambiente alinhado com o tema da mostra, mas também conectado ao criador, a nossa essência e com a nossa função na terra.
Para isso ela pensou na casa de uma artista que expressa sua arte através da escrita, mas também uma grande apreciadora e colecionadora de artes.
– Como arquiteta trouxe para o ambiente uma variedade de tons, texturas, formas e materiais, indo atrás da própria ancestralidade da moradora para nortear minhas escolhas e sentir a verdade da personagem. Identifiquei assim, que o pai dela é um geólogo, um grande conhecedor das propriedades físicas que compõem a terra e a mãe, antropóloga, é dedicada a estudar o ser humano. Desse resultado veio essa poetisa, que mais do que uma personagem, também remete a minha própria história, disse a arquiteta.




Arantxa conta que não conheceu a avó paterna, mas através de relatos, vê muito da sua inspiração nela, uma mulher de variados talentos, que escrevia poemas e tinha cursos de psicologia, música, pintura, cerâmica e tapeçaria, arte que, inclusive se destaca no projeto, através de uma escultura em tapeçaria com formato de árvore, entre outros itens que contribuem para narrar a história.
Alinhado ao projeto, e pensando na profissão do pai da personagem, os minerais inspiraram na escolha do piso, uma rocha natural no tom verde, que vem do Rio Grande do Sul e contextualiza com o passado da artista, também de origem gaúcha.








Este resgate introspectivo foi o ponto de partida para um ambiente com 80 m², cujo objetivo é trazer ao visitante um olhar sobre a verdade e o sentir que a personagem carrega, seja nos tons, nas formas e elementos que compõem o projeto, mas acima de tudo, fazer o público sentir quem é esta mulher através do próprio olhar.
“Espero que os visitantes da mostra possam senti-la sem conhecê-la, e imaginar a vida desta mulher multitalentosa e inspiradora”, disse a arquiteta.
Na composição a arquiteta apostou em tons variados, como o verde escuro do piso, orgânico e bem marcado, que foi estruturado como se emergisse do solo e abraçasse o espaço, fazendo com que a pedra utilizada seja uma portadora de memória, que se complementa a tela na entrada do ambiente, um grande horizonte, que remete a natureza e as origens da personagem.
Nesse espaço a arquiteta criou a área de trabalho da artista, fazendo do local o centro do ambiente, onde ela se expressa e passa a maior parte do tempo. Ali ela apostou num aparador, feito com a mesma pedra do piso, criado como se emergisse do solo, além de uma lareira que traz esse aconchego e sensação de casa com memórias.
Arantxa teve como premissa trabalhar os elementos, terra, água, fogo e ar. O fogo veio como elemento central da casa, representado pela lareira, aquecendo, transmutando e fortalecendo. O ar, que está em tudo, ali é representado pelos livros. A terra, que está no piso, se expressa ainda em diversos materiais, e a água, surge através das prateleiras de vidro, que são texturizados, mas lembram o elemento.
A arquiteta destaca o centro do projeto como a sala de estar, a alma do living, que foi fechado com um aparador baixo de livros, espaço que acolhe as leituras da artista.
Arantxa também apostou numa rocha cearense, de nome Nacarado, para compor a cozinha, que foi escolhida pela sua natureza aparentar uma pele e suas veias. Remetendo a terra, o tom meio alaranjado traz a sensação de acolhimento que o elemento traz.
Entre as artes expostas, as escolhas mesclam a inspiração da artista e o gosto pessoal da arquiteta, remetendo a ancestralidade e mostrando em cada detalhe os gostos e verdades da personagem.
Assim nasce o Living Manifesto, um projeto que representa o momento atual da arquiteta, descrito como uma grande manifestação, onde tudo que ela carregava em sua memória foi materializado.
Fotos: Lio Simas


