Nova Marina pode redesenhar mapa dos investimentos imobiliários em Florianópolis

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Florianópolis já figura entre os mercados imobiliários mais valorizados do país, mas uma das maiores intervenções urbanas em andamento na Capital pode acrescentar um novo elemento a esse cenário. Com investimento privado estimado em R$ 350 milhões, o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte começou a sair do papel em 2026 e deve criar uma nova estrutura voltada a lazer, turismo, comércio, serviços e atividades náuticas na região central da cidade.

A transformação acontece justamente em uma área que já registra valores acima da média do município. Em agosto de 2026, o preço médio anunciado dos imóveis residenciais em Florianópolis chegou a R$ 13.531 por metro quadrado, com valorização de 8,2% em 12 meses, segundo dados do Índice FipeZAP. Na Agronômica, bairro diretamente ligado à Beira-Mar Norte, o valor alcançou R$ 16.434 por metro quadrado, com alta de 12,4% no mesmo período. No Centro, o preço médio chegou a R$ 14.384 por metro quadrado.

Os números colocam Florianópolis entre as cidades mais caras do país para a compra de imóveis e ajudam a dimensionar a discussão em torno dos impactos que uma nova intervenção urbana pode exercer sobre um mercado já aquecido.

A Marina está sendo implantada entre a Praça de Portugal e a Praça do Sesquicentenário e prevê aproximadamente 440 mil metros quadrados de complexo, com parque urbano, áreas de convivência, estruturas comerciais, restaurantes, serviços e espaço para cerca de 600 embarcações. A proposta inclui ainda novas atividades relacionadas ao turismo, à economia náutica e à ocupação dos espaços públicos da orla.

Para Fernando Amorim Willrich, coordenador da pós-graduação em Gestão, Inovação e Desenvolvimento de Negócios Imobiliários do UNICESUSC, grandes intervenções urbanas precisam ser analisadas a partir de um conjunto de fatores, e não apenas pela expectativa imediata de aumento do preço dos imóveis.

“Quando uma cidade recebe uma intervenção dessa dimensão, o impacto não fica restrito à obra em si. Novos serviços, espaços de convivência, turismo, mobilidade e circulação de pessoas podem modificar a dinâmica econômica de toda uma região. Para o mercado imobiliário, o mais importante é entender se essas mudanças são estruturais e capazes de gerar demanda consistente ao longo do tempo.”

Segundo o especialista, a análise também precisa considerar o estágio atual de Florianópolis, que já possui um dos metros quadrados mais elevados do Brasil.

“A capital catarinense já parte de um patamar elevado de valorização. Por isso, o investidor precisa ter cuidado para não tomar decisões apenas com base na expectativa de que uma grande obra automaticamente fará os preços subirem. É necessário observar infraestrutura, oferta de serviços, mobilidade, perfil da demanda, legislação e vocação de cada região.”

No UNICESUSC, esses aspectos fazem parte da formação em Gestão de Negócios Imobiliários, curso EAD voltado à análise de mercado, investimentos, viabilidade de empreendimentos, negociação e transformações do setor. A instituição também desenvolve, em parceria com o CRECI-SC, uma pós-graduação voltada à gestão, inovação e desenvolvimento de negócios imobiliários.

Uma transformação que pode ir além da Beira-Mar

Um dos pontos que o setor acompanha é se os possíveis reflexos da Marina permanecerão concentrados na Agronômica e no Centro ou poderão alcançar outras áreas da Capital. A criação de um novo polo de lazer, gastronomia, turismo e serviços tende a aumentar o fluxo de pessoas e pode abrir oportunidades tanto no mercado residencial quanto em imóveis comerciais e de locação. Mas o tamanho desse efeito dependerá da consolidação efetiva do projeto e da resposta do próprio mercado.

Na avaliação do professor, grandes projetos urbanos podem modificar a percepção de determinadas regiões, mas é preciso separar valorização sustentável de movimentos especulativos. 

“Projetos que agregam infraestrutura, serviços e novas atividades econômicas podem aumentar a atratividade de uma região. No entanto, o mercado imobiliário responde a vários fatores ao mesmo tempo. É importante avaliar oferta, procura, perfil dos compradores, liquidez e capacidade real de geração de novos negócios antes de associar uma obra diretamente à valorização dos imóveis.”

Outra mudança percebida pelo setor está no perfil do próprio profissional que atua no mercado imobiliário. Segundo o professor, “O corretor hoje compreende muito mais do que a negociação de um imóvel. Conhecimentos sobre mercado, economia, legislação, tecnologia, comportamento do consumidor e análise de investimentos passaram a fazer parte da atividade. Quanto mais complexo o mercado se torna, maior é a necessidade de qualificação.”

Mercado catarinense em expansão

O debate ocorre em um momento de forte atividade do mercado imobiliário catarinense. Santa Catarina reúne cerca de 55 mil corretores de imóveis, por mais de 8 mil imobiliárias e vem se consolidando como um dos principais mercados do país. Entre março de 2024 e março de 2025, os empreendimentos lançados no Estado somaram aproximadamente R$ 55,5 bilhões em Valor Geral de Vendas, o equivalente a cerca de 65% do VGV de lançamentos registrado na Região Sul naquele período. 

Santa Catarina também concentra algumas das cidades com os metros quadrados mais valorizados do Brasil, entre elas Florianópolis, Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí. Nesse contexto, a chegada de uma estrutura como a Marina Beira-Mar Norte amplia a discussão sobre os próximos vetores de desenvolvimento urbano da Capital.

Mais do que tentar antecipar quanto os imóveis poderão valorizar, especialistas apontam que o momento exige observar como a região vai se transformar, quais atividades econômicas serão atraídas, como os espaços serão efetivamente utilizados e se novos fluxos de moradores, turistas e consumidores serão consolidados.

Com as obras em andamento, ainda é cedo para medir o impacto direto da Marina sobre os preços dos imóveis. Mas o empreendimento chega a uma região que já registra valores elevados e crescimento expressivo e coloca a Beira-Mar Norte novamente no centro das discussões sobre desenvolvimento urbano, novos negócios e o futuro do mercado imobiliário de Florianópolis.

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