DANTAS, o Evento emociona o público no Teatro Bruno Nitz

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O espetáculo DANTAS, o Evento levou um grande público ao Teatro Municipal Bruno Nitz, de Balneário Camboriú, na noite de 18 de outubro. A plateia acompanhou, emocionada, uma homenagem sensível ao legado de Pedro Dantas, artista que transitou entre a dança e as artes visuais e marcou gerações do Brasil e do exterior.

Idealizado por Fabiane Moser e realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú (LIC 2026), o projeto aproximou artistas de diferentes gerações e linguagens. Em cena, coreografias inéditas dialogaram com música original executada ao vivo ao piano e com um figurino monumental de cerca de seis metros, feito à mão.

Após o espetáculo, o público seguiu para a exposição montada no próprio teatro. A mostra permanece aberta na Galeria Municipal de Arte do Teatro Bruno Nitz até 28 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h, com entrada franca.

Quem foi Pedro Dantas

Nascido na Bahia, Pedro Dantas Riso formou-se entre São Paulo e Rio de Janeiro e viveu longa experiência na dança internacional. De volta ao Brasil no fim dos anos 1970, fixou-se em Blumenau, onde dirigiu a Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes (1979–1982) e criou o CIDAI, em 1982.

Aos poucos, levou o movimento do palco para a matéria, em pinturas e esculturas marcadas pela figura humana. Recebeu a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa (2011) e a Comenda do Mérito Cultural Rose Gaertner (2017). Faleceu em 2019, deixando acervo e uma rede de alunos, amigos e artistas.

Uma exposição multiartística

A curadoria foi realizada por Evaldo Freygang Junior, também coordenador executivo do projeto. A mostra foi uma experiência multiartística, reunindo dança, artes visuais, escultura, fotografia, música, figurinos, depoimentos e registros históricos.

A escultura Dança Etérea, de E. Freygang, que vem chamando a atenção do público por sua grandiosidade e impacto visual complementando a exposição. A obra traduz em matéria a força, a leveza e a expressividade do movimento.

A mostra reúne ainda a pintura inédita de grandes dimensões de Marcelo Urizar, a série fotográfica A Dança do Tempo, de Marlon Andrei Grosskopf, e painéis com a trajetória de Dantas. Também expõe os figurinos criados por estudantes do Centro Educacional Municipal Governador Ivo Silveira, na contrapartida social “DANTAS, Memória, Criação e Partilha”.

Depoimentos de quem conviveu com Pedro completam o percurso: o escultor Pita Camargo, a paisagista e ex-aluna Ana Holzer, a vizinha Márcia Maria Murara Peiter, o ex-aluno Jaime Fernandes de Oliveira, hoje na Coreia do Sul, bailarina e arte-educadora Ivana Vitória Deeke Fuhrmann.

Os artistas que deram forma à homenagem

Fabiane Moser — concepção, proponente e direção artística. Bailarina, arte-educadora, coreógrafa, artista visual e produtora cultural, com quatro décadas de trajetória. Conheceu Pedro Dantas em Blumenau, dividiu com ele o palco no pas de deux Sol e Lua, em 1998, e foi sua aluna em um curso de escultura em 1999.

Evaldo Freygang Junior — curadoria, coordenação geral e executiva, além de escultor. Atua nas artes visuais desde 1984 e vive há mais de duas décadas em Balneário Camboriú. Conheceu Dantas ainda jovem e criou a escultura Dança Etérea a partir dessa memória, buscando a leveza na matéria pesada.

Wald de Oliveira — bailarino e coreógrafo. Na dança desde 1977, transita entre ballet clássico, dança contemporânea e jazz, com trabalhos interpretados no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Criou as coreografias inéditas a partir de um princípio de Dantas: o corpo que vira forma e a forma que volta a ser movimento, moldando a artista até chegar a obra que dança.

Victória Terribile— bailarina profissional. Com formação no Rio de Janeiro e prêmios nos festivais de Joinville, Itajaí e prêmio de melhor bailarina em Curitiba (2026). Ocupou o papel central em Emoção em Movimento, emergindo do casulo que simboliza a passagem entre matéria e movimento.

Jhone Abner Campelo Ribeiro — bailarino. Começou na dança em 2011, pelo programa “Conquistando a Cidadania”, e já fez turnê pela França, integrando o pas de deux “Luz na Coxia”.

Iohana Notari Dietrich — bailarina. Atriz e licenciada em Dança, com experiência em TV, videoclipes e teatro musical. Também ampliou sua participação no palco ao longo do processo criativo e dançou ao lado de Jhone um belíssimo pas de deux com o piano ao vivo.

Gustavo Marçal Miranda — composição e piano. Compôs as obras inéditas “Emoção em Movimento”e “Luz na Coxia”, dedicadas a Pedro Dantas, e as executou ao vivo, em diálogo direto com a dança. Pianista de uma sensibilidade ímpar.

Afonso Cezar Silveira, o Cezinha — figurinos e cenografia. Licenciado em Dança pela UFBA, trabalhou com o Balé do Teatro Castro Alves e conheceu Dantas nos anos 1980. Criou à mão, ponto a ponto, o manto-casulo de cerca de seis metros usado em cena, somada a iluminação, criou uma atmosfera belíssima.

Marcelo Urizar — pintura. Artista visual e arquiteto argentino, radicado em Balneário Camboriú desde 1997. Desenvolveu uma pintura inédita em tinta acrílica de grandes dimensões que interpreta a linha, o impulso e o ritmo da obra de Dantas. Inspirado nos trabalhos de Matisse “A dança”, inclui imagens inspiradas nas esculturas de Dança, dialogando com o passado e o presente da arte.

Marlon Andrei Grosskopf — fotografia, registros, pesquisa e toda criação digital. Criou a série “A Dança do Tempo”, com 12 imagens de fotografia expandida que releem os gestos escultóricos de Dantas, e conduziu parte da pesquisa biográfica da exposição em uma linguagem atual com Inteligência Artificial.

A assessoria de imprensa é de Tatiele Rivera, e a acessibilidade em Libras, de Giselle Santos Souza.

“Um encontro de almas conduzido pela arte”

Para a idealizadora do projeto, a noite foi de emoção e reconhecimento. “Há momentos em que a arte deixa de ser apenas espetáculo e se torna pura emoção, memória viva e conexão de almas. O lançamento do projeto cultural DANTAS, o Evento foi exatamente assim: uma noite inesquecível, marcada pelo afeto, pela sensibilidade e pela reverência a um artista verdadeiramente genial”, afirma Fabiane Moser.

“Celebrar Pedro Dantas é reverenciar um criador plural, capaz de esculpir a alma no bronze e dar movimento aos sentimentos na dança. Ver sua trajetória, suas obras e sua essência ganharem vida no palco do Teatro Municipal Bruno Nitz, diante de um público emocionado, reforça a certeza de que seu legado permanece pulsante e imortal”, completa.

O curador Evaldo Freygang Junior destaca o cuidado com a memória do homenageado. “O legado de Pedro Dantas, aliado à toda pesquisa histórica e documental, foi apresentado de maneira leve, sensível e acessível, aproximando o público de sua trajetória e contribuição para a arte”, diz.

Para ele, o resultado reflete a excelência dos profissionais envolvidos no projeto e “o compromisso com a preservação da memória, a valorização da cultura, a presença coletiva de artistas e a continuidade de seus legados”.

A arte tem o poder extraordinário de transformar pessoas em memória, memória em movimento e movimento em eternidade.

Exposição DANTAS, o Evento

  • Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú, no Teatro Bruno Nitz
  • De 18 a 28 de outubro de 2026
  • Das 13h às 18h, de segunda a sexta-feira
  • Entrada gratuita
  • Realização Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú — LIC 2026

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