A primeira edição do Fórum de Relações Trabalhistas da ABRH-SC, realizada ontem (13) em Jaraguá do Sul, reuniu executivos de RH, gestores industriais e jurídicos corporativos em torno de uma pauta objetiva: segurança jurídica, novas exigências da NR-1 e o impacto da inteligência artificial nas relações de trabalho. O auditório lotado confirmou o interesse do setor em temas que cruzam gestão de pessoas e legislação.
Segundo a diretora jurídica e de relações trabalhistas da entidade, Renata Jacob, o evento foi desenhado com a participação de gestores empresariais de todo o estado. “Perguntamos quais eram os temas de maior interesse e concentramos, em uma tarde, questões latentes para a conexão RH e Jurídico”, afirmou. “O auditório lotado confirmou a necessidade de ampliar esse debate. Nosso próximo fórum será ainda maior”.

Negociações coletivas: preparo e diálogo como diferencial
A abertura do fórum tratou das relações sindicais e da negociação coletiva, tema conduzido pelo gerente de relações trabalhistas e sindicais da Bunge, Antonio Ieski Jr., que destacou a importância de o RH e as lideranças se prepararem com antecedência às datas-base e compreenderem as etapas do processo negocial. “Negociação não é confronto, é criação e distribuição de valor entre as partes”, afirmou.
Para ele, o desafio atual está em desenvolver lideranças treinadas e capacitadas para lidar com a nova dinâmica das relações sindicais. “Quando o gestor entende o processo e a linguagem sindical, reduz riscos e fortalece o relacionamento com os trabalhadores”, disse.
Justiça do Trabalho pede rigor e proporcionalidade nas penalidades
O juiz do Trabalho Marlos Melek (TRT-9) trouxe um alerta direto às empresas: “a grande maioria das justas causas são revertidas por falhas de rito e prova”, afirmou. O magistrado defendeu que o Tribunal Superior do Trabalho vem criando precedentes qualificados, mecanismo que padroniza decisões e reduz insegurança jurídica.
Segundo Melek, a aplicação da justa causa exige três pilares básicos: imediatidade após a apuração, proporcionalidade à gravidade e histórico do empregado, e proibição de dupla punição pelo mesmo fato. “A empresa deve agir com calma, mas sem demora. Não é na emoção, nem meses depois”, resumiu.



Ele também advertiu sobre práticas que configuram assédio moral, como a exposição pública de rankings e metas. “Cobrar desempenho não é problema; o problema é humilhar”, disse. No campo do assédio sexual, reforçou que a tipificação exige hierarquia e chantagem. “O erro mais comum é a omissão. As empresas precisam ter canais de denúncia e compliance ativo”.
NR-1: saúde mental e papel da liderança
A discussão sobre a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que agora exige o monitoramento de riscos psicossociais, destacou a importância da liderança e da integração entre áreas.
A head de gestão de pessoas e jurídico da Marisol S.A, Luciani Martins, destacou a importância de sensibilizar as lideranças. “O tema precisa ser tratado como realidade, não como obrigação legal”, disse.
O médico do trabalho Bernardo Matosinhos, da empresa 3778, defendeu uma abordagem prática. “A doença mental é multifatorial. A empresa deve atuar no que é modificável: relações, organização do trabalho e canais de escuta”, afirmou.
Na prática operacional, o coordenador de saúde e benefícios do Grupo Tigre, Thiago Moro, destacou a importância de considerar as diferenças nos fatores de riscos psicossociais a que estão sujeitos profissionais de segmentos distintos “Aprendemos que não existe solução única. Por isso, temos ações específicas para lideranças, operacional e administrativo”, compartilhou.
Inteligência artificial exige governança e proteção de dados
Encerrando o evento, a consultora e professora Vanessa Mosca tratou do uso de inteligência artificial nas rotinas de RH. “A IA não vai substituir pessoas, vai substituir tarefas. Cabe ao RH mapear o que pode ser automatizado e realocar as pessoas para funções de maior valor”, defendeu.
Vanessa alertou para o risco do uso indiscriminado de ferramentas como o ChatGPT em departamentos jurídicos e de recursos humanos. “Muita gente não lê os termos de uso. O conteúdo que você insere pode ser usado para treinar o modelo. Segurança de dados não é opcional: é responsabilidade profissional”, disse.
Ela recomendou práticas simples de proteção, como optar formalmente para que os dados do usuário não sejam usados para treinamento, anonimizar informações sensíveis e incluir políticas internas de IA em manuais corporativos. “É possível usar bem a tecnologia, desde que se entenda o que ela faz e se tenha governança clara”, completou.
Sobre a ABRH-SC
A Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Santa Catarina (ABRH‑SC) é uma entidade representativa dos profissionais de gestão de pessoas, atuando em todo o estado de Santa Catarina. Com foco no desenvolvimento de práticas estratégicas de RH, engajamento corporativo, ética e inovação, a ABRH-SC promove estudos, eventos, fóruns e programas voltados à atualização e à profissionalização da área. É organizadora do Congresso Catarinense Sobre Gestão de Pessoas (CONCARH), segundo maior evento sobre o tema no Brasil.

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