Em 2025, o Salão Bunkyo de Arte Contemporânea celebra sua 35ª edição em sintonia com dois marcos históricos: os 70 anos do Bunkyo e os 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão. A mostra segue até dia 09 de novembro de 2025 no Espaço Cultural da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Os artistas premiados são Mauro Kiosi Yamaguti (1º Lugar, R$ 5 mil), Bruna Kim (2º Lugar, R$ 4 mil) e Ana Spett (3º Lugar, R$ 3 mil), além do Julio Primeiro (Prêmio Yutaka Toyota, antes nomeado Prêmio Artista Nipo-Brasileiro, R$ 2 mil) e Pedro Hamaya, Naomi Shida e Maryam Souza (Prêmio Estímulo, R$ 500 cada). Foram recebidas 907 inscrições nesta edição (sendo do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Espírito Santo, Pernambuco e Brasília – DF), sendo o maior número de artistas inscritos já registrado na história do Salão.

O selecionado de Santa Catarina é o artista visual André Tietzmann (Balneário Camboriú – SC, mas que vive atualmente na Baixada Santista). Os textos curatoriais e institucionais serão assinados por alguns dos membros da Comissão de Artes Plásticas do Bunkyo, além de convidados como a Profª Michiko Okano com ênfase nos 70 anos da instituição e nos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão.
Aumento de inscritos e abrangência nacional
Sob a presidência da comissão de Artes Plásticas do artista visual Marcos Akasaki, nos últimos quatro anos, sua gestão acumula ganhos, com o aumento das inscrições (250 inscritos em 2022, 450 em 2023, 650 em 2024 e este ano 907).
“Conseguimos isentar as inscrições o que atraiu muito o número de inscritos e, nestes dois últimos anos, isso só foi possível graças a atuação do vice presidente do bunkyo Carlos Harasawa, que através da captação de patrocínios pela Lei Rouanet propicia a realização do salão sem cobrança da taxa de inscrição”, afirma Marcos Akasaki.

Além disso, ele vem imprimindo uma característica mais nacional e abrangente no salão, voltado não só para a comunidade nipo-brasileira mas procurando difundir o nome da instituição e torná-la conhecida a nível nacional, fator que certamente contribuiu para os aumentos consecutivos de inscrições.
Amizade secular: Brasil e Japão
O evento marca oficialmente as celebrações dos 70 anos do Bunkyo e dos 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão, fortalecendo os laços culturais e históricos entre os dois países, por isso teremos o prêmio de artista nipo-brasileiro.

Também será prestada uma homenagem especial à artista Inêz Shibata (1933-2024), que atuou com dedicação e sensibilidade na Comissão de Artes Plásticas do Bunkyo, deixando um legado inspirador. Shibata nasceu em Sete Barras/São Paulo. Estudou Artes Plásticas com professor Massao e Alina Okinaka e, a partir de 1960, iniciou sua participação em exposições como:Salão Grupo Seibi, Mostra Feminina de Arte, Salão de Artes Plásticas Bunkyo, Núcleo de Arte e Cultura Nova Era, Salão Paulista de Belas Artes, Salão Paulista de Arte Moderna do Rio de Janeiro, “Uma Noite de Arte” na Residência Oficial da Embaixada dos EUA em Brasília, Du Bresil Cite Universitair de Paris, Intercâmbio Nipo-Brasileiro Marinha do Brasil e Salão das Águas, conquistando vários prêmios.

Em 1992, mudou-se para o Japão e durante 12 anos dedicou-se para aperfeiçoar suas técnicas, estudando com vários professores, além de participar de diversas mostras. Tem obras em acervos em Coleções Públicas, como Museu Nipo-Brasileiro – São Paulo-SP, Museu da Imigração – Registro-SP e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Mostra paralela (Ukiyo-e)
Haverá uma mostra paralela dedicada ao Ukiyo-e do período Edo (1603-1868), que a comissão tem o prazer e a honra de ter em seu acervo, trazendo ao público a oportunidade de conhecer um recorte histórico da arte japonesa em diálogo com a contemporaneidade, fortalecendo o tema do salão “Ressignificando o passado, construindo o futuro”.
Ukiyo-e (浮世絵) é um gênero de impressão em xilogravura desenvolvido entre o século XVII e o começo do século XX no Japão. A ampliação desta técnica de gravura na qual se utiliza a madeira como matriz para a reprodução da imagem, neste momento, está relacionada ao período de urbanização que marcou o fim do século XVI no Japão, o período Edo (1603 – 1868). ‘Ukiyo’ (浮世) significa mundo flutuante e advém de uma expressão budista para tratar da transitoriedade de um mundo de dores no qual deve-se buscar a libertação.
Memórias Presentes: Uma Jornada Artística
O presente é um mosaico de experiências e memórias. Muitas lembranças se perdem no tempo, mas a arte as eterniza, servindo como um testemunho autivitica de tudo que vivemos. O Salão Bunkyo, com sua rica história, é um exemplo vivo dessa afirmação. Fundado em 1935 como Seibika, por um grupo de entusiastas das artes, coro Tondo e Yuji Tamaki, entre outros. O Salão enfrentou desafios ao longo das décadas, mas perseverou, adaptando-se aos novos tempos.
Inicialmente focado na confraternização e no desenvolvimento de jovens Seibikai realizou diversas exposições. Com a interrupção causada pela Segunda Guerra Mundial, o grupo foi reativado em 1947, dando origem a nomes de destaque nipo-brasileira como Manabu Mabe, Tomie Ohtake e Yutaka Toyota.
Em 1972, o Seibikal transformou-se no Salão Bunkyo, sob a égide da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. A partir de 2007, o Salão se uniu a outras, ampliando seu alcance e consolidou-se como um importante evento artístico adotando o nome de Grande Exposição de Artes Bunkyo. Nos dois últimos anos, com o apoio da JICA e do PROAC, o Salão Bunkyo passou por uma nova fase, com mais estrutura e oportunidades para os artistas. Em 2024, as Comissões de Artes Plásticas e de Arte Koguel optaram por realizar eventos independentes, marcando o retorno do “34” Salão Bunkyo de Arte Contemporânea”.
Ao longo de sua trajetória, o Salão Bunkyo transcendeu as maneiras de com nipo-brasileira, contribuindo para o desenvolvimento de artes no Brasil. Ao promover a diversidade artística, o salão preserva a memória e a identidade dos artistas nipo-brasileiros, que tanto enriqueceram o cenário artístico nacional. Comissão de Artes Plásticas do Bunkyo (2024).
Sobre o Bunkyo
A Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo foi fundada em 17 de dezembro de 1955, com uma missão de grande significado para a comunidade nipo-brasileira e ao relacionamento Brasil-Japão – organizar as comemorações do Cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil, em 1958. E, essa referência da representatividade do Bunkyo atribuída desde seu nascimento tem sido preservada (e praticada) ao longo desses anos.
As associações foram importantes referências de atuação aos imigrantes japoneses desde sua chegada ao Brasil, em 1908. Essas entidades coordenavam diferentes atividades coletivas, desde eventos culturais, sociais, orientações à saúde, melhoria da infraestrutura local, entre outras. Com o começo da Segunda Guerra Mundial, por força das leis proibitivas, as representações mantidas por estrangeiros originários dos países do Eixo foram dissolvidas. Mas com o final do conflito, antigas associações ressurgem e novas são criadas a partir de iniciativas das comunidades locais.
Em 1954, surge a possibilidade de estabelecer uma entidade centralizadora a partir da comissão organizadora montada para participar da comemoração do 4º Centenário da cidade de São Paulo, que foi presidida por Kiyoshi Yamamoto (1892-1963). O papel da comissão era reunir representantes das lideranças locais, dos órgãos japoneses sediados no Brasil e buscar retomar o intercâmbio com o governo japonês.
Um dos resultados desses esforços, o Japão, além de participar com representantes de outros países da Grande Feira Internacional organizada para inaugurar o Parque Ibirapuera; em parceria com a comunidade nipo-brasileira, construiu e presenteou a Cidade com o Pavilhão Japonês, uma edificação inspirada no Palácio Imperial Katsura.
Em 1955, passada a festa, foi decidido que a comissão organizadora não deveria ser dissolvida e sua estrutura ser aproveitada para coordenar as festividades dos 50 anos da imigração japonesa em 1958. Assim, nasceu a Sociedade Paulista de Cultura Japonesa, instalada numa sala alugada na Avenida Liberdade, cuidando e realizando seus eventos públicos no Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera. https://bunkyo.org.br/br/pavilhao-japones
Além do Bunkyo, outra organização teve origem na Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa Pró-IV Centenário da Cidade de São Paulo: a Aliança Cultural Brasil-Japão, fundada em 17 de novembro de 1956. Além de representantes da comunidade nipo-brasileira, também incluiu expoentes da sociedade paulistana não nikkeis, e teve como primeiro presidente o poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), que presidira a Comissão Organizadora do IV Centenário) e vice-presidente Kiyoshi Yamamoto, então presidente do Bunkyo. https://site.aliancacultural.org.br
35º Salão Bunkyo de Arte Contemporânea
- Tema curatorial da mostra “Ressignificando o passado, construindo o futuro”
- Homenagem especial à artista plástica Inêz Shibata (1933-2024)
- Mostra dedicada ao Ukiyo-e do período Edo (1603-1868)
- 1º Lugar – Mauro Yamaguti (R$ 5 mil)
- 2º Lugar – Bruna Kim (R$ 4 mil)
- 3º Lugar – Ana Spett (R$ 3 mil)
Prêmio Yutaka Toyota
Julio Primeiro (R$ 2 mil)
Prêmio Estímulo
Pedro Hamaya (R$ 500)
Naomi Shida (R$ 500)
Maryam Souza (R$ 500)
Jurados
Allan Yzumizawa, Andrea Souza, Claudinei Roberto, Ely Iutaka e Fernando Durão
Selecionados (80 artistas)
Alejandra Dawi, Andrea Derani, André Tietzmann, Arissa Oda Baeça, Betânia, Brenno Fraga, Bruno Makia, Camila Svenson, Camila Tonti, Carol Kech, Carol Pachioni, Carol Tudili, Caroline Westt, Cika, Cristina Rezende, Daniela Dib, Daniela Torrente, Denise Ikuno, Elenise Xisto, Erica Sanches, Fabio Kwait, Fiddo, Flavia Renault, Flavia Yumi Sakai, Francine Jubran, Gabriela Mamodisi, Génova Alvarado, Henrique Sur, Isa Campanelli, Isa Graciano, Isabela Vatavuk, James Rowland, Janice Ito, Jér Coqueiro, Joji Ikeda, Julia Mari, Juliana Garcia, Júlia Mazzoni Sant’anna, Kaio Fialho, Keila Okubo, Kika Diniz, Laíza Ferreira, Larissa Anne, Leandro Dário, Lia Ballak, Livi Liu, Lívia Gomes, Luana Lins, Lucas Sakai, Maltchique, Mari Sperandio, Mariangela Ratto, Marcelo Hardt, María Estela Ripa, Márcio Petini, Milena Preto, Namy Narata, Natália Guarçoni, Negritoo, Nina Simão, Paulo Ciochetti Salles, Rafael Kenji, Roberto André, Rodrigo Jesus Irmão, Rodrigo Rigobello, Sara Rezende, Shinzatos, Tere Gouvea, Thais Borducchi, Wesler Machado Alma, Yasmin Sayuri, Yumi Shimada e Yun Isobe
Período da mostra: 25 de outubro a 09 de novembro de 2025
Segunda a sexta-feira, das 13h às 19h30 e sábado e domingo, das 10h às 18h
- Local: Espaço Cultural do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa
- e de Assistência Social
- Rua São Joaquim, 381
- Liberdade, São Paulo, SP, Brazil – 01508-000
- Site: https://www.artebunkyo.com.br/expositores
- Tel: +55 (11) 3208-1755 (2ª a 6ª, 9h às 17h30)
Redes Sociais
Comissão de Artes Plásticas Bunkyo @bunkyo_artesplasticas
Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social @bunkyodigital

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