A chegada da Páscoa costuma aumentar ainda mais o consumo de chocolate no Brasil, que já faz parte da rotina alimentar de boa parte da população. Segundo dados da ABICAB – Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas, o consumo médio no país chega a 3,9 kg de chocolate por pessoa ao ano, com produção nacional superior a 800 mil toneladas anuais.
Além disso, pesquisas de comportamento de consumo indicam que 41% dos brasileiros consomem chocolate pelo menos uma vez por semana, enquanto cerca de 10% afirmam consumir o doce quatro vezes ou mais semanalmente. Durante a Páscoa, esse consumo tende a crescer ainda mais, impulsionando o comércio e ampliando a oferta de produtos nas prateleiras.
Apesar da popularidade do chocolate, a nutricionista e coordenadora do Curso de Nutrição do Unicesusc, Liliana Bricarello, alerta que nem todos os produtos disponíveis possuem a mesma qualidade nutricional. A recomendação é simples, mas muitas vezes ignorada pelos consumidores: ler atentamente os rótulos antes de comprar.

“A prática ajuda a identificar a quantidade de açúcar, gorduras, o teor de cacau e outros ingredientes presentes no produto, e esses fatores influenciam diretamente na qualidade do chocolate e no impacto do consumo para a saúde”, afirma Liliana, que também chama atenção para produtos rotulados como “sabor chocolate”.
Segundo a nutricionista, esses itens podem conter quantidades mínimas ou até nenhuma de cacau, utilizando aromatizantes e gordura vegetal para simular sabor e textura do chocolate. “Por isso, é fundamental observar a lista de ingredientes. Produtos ‘sabor chocolate’ podem parecer semelhantes, mas muitas vezes têm composição bastante diferente do chocolate tradicional”, explica.
Outro ponto de atenção é a quantidade de açúcar presente mesmo em chocolates considerados mais intensos. “Mesmo os meio amargos, podem apresentar mais de 60g de carboidratos por 100g, o que indica presença significativa de açúcar. Por isso, a leitura do rótulo é essencial para entender exatamente o que está sendo consumido”, destaca Liliana.
A especialista reuniu algumas orientações simples que podem ajudar os consumidores na escolha de chocolates de melhor qualidade.
- Observe a quantidade de açúcar
Um dos primeiros pontos a analisar é a quantidade de açúcar na tabela nutricional, principalmente os açúcares adicionados. Essa informação passou a ser obrigatória nos rótulos brasileiros após atualização das normas da ANVISA. Muitos chocolates ao leite e produtos rotulados como “sabor chocolate” apresentam mais açúcar do que cacau na composição. - Leia a lista de ingredientes
A lista de ingredientes revela muito sobre a composição do produto. Por regra, os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Se o açúcar estiver em primeiro lugar, significa que ele é o principal componente do chocolate. Em produtos de melhor qualidade, o cacau ou seus derivados costumam aparecer entre os primeiros itens da lista. - Verifique o percentual de cacau
O teor de cacau é um indicador importante de qualidade. Chocolates com 70% de cacau ou mais tendem a conter menos açúcar e maior concentração de compostos bioativos, como os flavonoides, associados a potenciais benefícios à saúde. Já chocolates com menor percentual costumam ter maior adição de açúcar e gorduras. - Fique atento ao tipo de gordura utilizada
Outro ponto importante é observar se o produto contém manteiga de cacau, a gordura natural do chocolate, ou se utiliza gordura vegetal como substituto. A presença de gordura vegetal pode indicar um produto de qualidade inferior ou formulações mais industrializadas. - Compare marcas e produtos
Mesmo dentro da mesma categoria, diferentes marcas podem apresentar variações significativas na composição. Comparar rótulos permite identificar opções com menor teor de açúcar e maior percentual de cacau. - Consuma com equilíbrio
Mesmo chocolates com maior teor de cacau devem ser consumidos com moderação. O objetivo não é deixar de aproveitar a Páscoa, mas fazer escolhas mais conscientes e equilibradas.
Consumo ainda é menor que em países europeus
Apesar do crescimento do mercado brasileiro, o consumo de chocolate no país ainda está abaixo de nações tradicionais. A Suíça é o país que consome mais chocolate no mundo, com até 11 kg por pessoa ao ano. Na Alemanha, segundo país com maior consumo anual, o número pode ultrapassar 9 kg por pessoa, mais que o dobro do registrado no Brasil. Esse cenário indica espaço para crescimento do setor, mas também reforça a importância de incentivar escolhas mais informadas, especialmente em períodos de maior consumo, como a Páscoa. Ao dedicar alguns minutos para ler os rótulos e comparar produtos, o consumidor consegue equilibrar sabor e saúde, aproveitando a data com mais consciência e qualidade na alimentação.

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