Depois de um período marcado pela popularização das ferramentas de inteligência artificial, 2026 tende a consolidar uma nova fase para pequenas e médias empresas. A tecnologia deixa de ser vista como novidade ou simples apoio à produtividade e passa a ser cobrada por algo mais concreto: impacto real nos processos, na operação e nos resultados do negócio.
Dados da Amazon Web Services (AWS) indicam que cerca de 40% das empresas brasileiras já utilizam algum tipo de IA. Entre as PMEs, no entanto, o uso ainda se concentra em aplicações básicas, como geração de textos, marketing e atendimento inicial. Para Mariah Sathler, consultora em inteligência artificial aplicada a pequenas e médias empresas, o desafio do próximo ano será avançar do uso pontual para a integração da tecnologia à rotina do negócio.

“Em 2026, não vai ganhar quem só sabe pedir coisas para a IA. Vai ganhar quem consegue fazer a tecnologia trabalhar com as regras, os processos e o jeito da empresa, pois cada negócio apresenta demandas diferentes. Não dá mais para tentar aplicar uma fórmula pronta em todos os setores”, afirma.
IA com contexto ganha espaço
Uma das principais tendências para 2026 é o avanço de sistemas treinados com informações internas das empresas, e não apenas com dados genéricos. Para as PMEs, isso significa organizar processos, decisões recorrentes e histórico de clientes para que a IA entregue respostas mais precisas.
“O erro mais comum é esperar que a IA resolva tudo sozinha. Se o processo não está claro, a tecnologia devolve respostas genéricas”, diz Mariah. Segundo ela, esse movimento também acelera o treinamento de novos colaboradores, já que a IA pode funcionar como um repositório vivo de conhecimento.
Da ajuda pontual à operação
Outra mudança importante é a transição da IA que apenas responde para a IA que atua diretamente na operação, de forma mais “proativa”. Em vez de ser usada só para escrever textos, a tecnologia passa a registrar informações, organizar tarefas, sugerir próximas ações e alertar sobre possíveis problemas.
Um estudo da Anthropic mostra que 77% do uso de IA generativa está ligado à automação do trabalho, especialmente tarefas administrativas. No Brasil, dados da Amcham indicam que 38% das empresas já automatizam processos repetitivos — áreas como financeiro, comercial e backoffice, comuns no dia a dia das PMEs.
“O ganho não está em substituir pessoas, mas em tirar da equipe o peso das tarefas repetitivas”, explica Mariah. “Cada hora economizada faz diferença para uma pequena empresa. Quando um funcionário recebe treinamento adequado para utilizar determinada IA, há um ganho de tempo que pode ser utilizado em outras tarefas”, afirma.
Resultado vira a métrica central
Se nos últimos anos o foco esteve nas ferramentas, 2026 tende a consolidar uma pergunta mais objetiva: isso deu resultado? Para Mariah, a conversa muda rapidamente entre pequenos e médios empresários.
“Não faz sentido investir em IA sem impacto claro. A pergunta passa a ser se reduziu retrabalho, diminuiu erros, melhorou a experiência do cliente ou ajudou a vender mais”, afirma.
Para a consultora, o diferencial das PMEs em 2026 não estará na ferramenta escolhida, mas na capacidade de aplicar a tecnologia com critério. “Menos hype e mais discernimento. Esse será o verdadeiro diferencial competitivo.”

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