Acervo Jorge Feitosa reúne arte, design e peças que carregam histórias

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Acervo Jorge Feitosa nasce do olhar desenvolvido pelo artista visual e curador Jorge Feitosa ao longo de mais de duas décadas de pesquisa e formação de coleção. Ao lado do executivo Fábio Garcia, o projeto reúne arte, design,cerâmica e objetos de coleção de diferentes épocas e origens, selecionados a partir dos conceitos de Memória da Matéria Arqueologia Afetiva. A curadoria articula história, materialidade, proporção, textura e capacidade compositiva, aproximando objetos de outras temporalidades dos interiores contemporâneos.

Serviço Tete a Tete Vintage YSL

Desde dezembro de 2025, parte do Acervo Jorge Feitosa integra a Mata Lab, na Cidade Matarazzo, em uma parceria iniciada simultaneamente ao lançamento do espaço. Dessa origem compartilhada nasceu uma simbiose entre as duas curadorias, unidas pelo compromisso com a preservação e a valorização da cultura material. A presença na Mata Lab amplia o diálogo do Acervo com arquitetos, designers de interiores e colecionadores.

Arqueologia afetiva: a curadoria pelo olhar do artista

Arqueologia afetiva é a expressão que Jorge Feitosa utiliza para definir o método curatorial do Acervo. A partir de seu olhar de artista, o processo articula pesquisa, salvaguarda e ressignificação: investiga a trajetória material dos objetos, preserva os vestígios de sua passagem pelo tempo e cria condições para que eles estabeleçam novas relações no presente. A escolha de uma peça não se limita à idade, à assinatura ou ao valor de mercado, mas considera também sua forma, materialidade, contexto e capacidade compositiva.

Conjunto de orcelana vintage Noritake

A dimensão afetiva não substitui a documentação: ela orienta o olhar, enquanto a pesquisa sustenta as informações. É também por essa razão que o Acervo não utiliza o termo “garimpo”. Essa escolha de linguagem dialoga ainda com a origem amazônica de Jorge e com sua produção artística, que investiga matéria, território e os impactos do extrativismo.

Na prática, a curadoria é conduzida pelo próprio Jorge durante viagens e pesquisas realizadas no Brasil e em outros países. A seleção reúne cerâmicas, cristais, mobiliário, objetos decorativos e peças de design de diferentes períodos e procedências. Entre as marcas e manufaturas representadas estão Christofle, Hermès, Gucci, H.Stern, Yves Saint Laurent, Val Saint Lambert, Moser e Noritake, além de peças ligadas às tradições produtivas de Limoges e Murano e de manufaturas brasileiras como Eberle, Zappi, Tupy, Inca e ABECE.

“Meu interesse também é valorizar a cerâmica produzida no Brasil, reconhecendo a qualidade, a história e a identidade presentes nessas peças”, explica Feitosa.

Para o artista, os materiais preservam vestígios das trajetórias dos objetos e das pessoas que conviveram com eles. As marcas deixadas pelo tempo integram essa leitura histórica e afetiva, permitindo que cada peça seja compreendida também por aquilo que atravessou.

Na relação de Jorge com a passagem do tempo, duas referências japonesas se aproximam de sua pesquisa de maneiras complementares. O wabi-sabi oferece uma referência estética e filosófica para compreender a transitoriedade, a incompletude e as transformações provocadas pelo tempo. “Enquanto o mundo contemporâneo nos treina a ver o novo como único e perfeito, busco refúgio na beleza do que já existiu. Um desgaste não é um defeito, é biografia”, afirma o artista.

Castiçal Christofle Duperier

kintsugi, por sua vez, aparece como inspiração conceitual e visual na produção autoral de Jorge. A técnica japonesa de reparo de cerâmica, tradicionalmente realizada com laca e pó metálico para evidenciar as linhas de fratura, aproxima-se de sua pesquisa sobre ruptura, transformação, permanência e Memória da Matéria. Na obra do artista, essa relação é apresentada como inspiração e diálogo conceitual, sem pressupor a aplicação literal do processo tradicional.

Essas aproximações não transformam qualquer dano em qualidade estética nem substituem os cuidados de conservação. Desgastes, fissuras, perdas, corrosões, repinturas e restauros continuam sendo identificados e informados com precisão.

“Nosso objetivo é preservar a integridade material da peça sempre que possível e, quando uma intervenção se torna necessária à sua conservação, atuar de forma pontual, respeitando sua materialidade e suas características originais”, conclui Jorge.

Da coleção particular ao projeto curatorial

Depois de inúmeras viagens e de anos reunindo em suas casas, entre São Paulo e Vinhedo, peças que despertavam seu interesse, Jorge transformou essa paixão em negócio. O que começou como uma coleção pessoal ganhou uma nova dimensão e deu origem a uma curadoria que aproxima cultura, arte, design e mercado.

Hoje, a seleção é destinada a projetos de arquitetura e interiores, coleções particulares e novos contextos, levando para esses espaços objetos escolhidos por seu repertório e singularidade. A proposta é que peças que já fizeram parte de outras trajetórias possam ganhar novos lugares e continuar construindo significado.

“Para mim, o design não é apenas forma e função, mas um repositório de histórias silenciosas”, finaliza Jorge Feitosa.

Sobre Jorge Feitosa

Jorge Feitosa é artista visual e curador, nascido em Porto Velho (RO) e radicado em São Paulo. Filho de marceneiro e costureira, cresceu em contato com o fazer manual, experiência que atravessa sua trajetória e sua relação com a matéria. Graduado em Artes Visuais pela Belas Artes, em 2013, também estudou fotografia no MAM-SP.

Sua produção transita por performance, fotografia, vídeo e escultura, investigando temas como identidade, deslocamento, pertencimento e subjetividade, com forte relação com a Amazônia e suas referências culturais.

Entre seus principais projetos estão as individuais Lágrimas de Ouro”, em São Paulo, e “NAVEGAR ES PRECISO”, em Havana, além de participações na 16ª Verbo – Mostra de Performance Arte, na Galeria Vermelho, na ArtRio e no Jardim das Esculturas, na Marina da Glória. Em 2025, apresentou em Paris a individual “Viagem – Matéria, rito e memória ancestral”Seu trabalho integra os acervos do Museu de Arte do Rio (MAR) e do MUnA – Museu Universitário de Arte da UFU.

Acervo Jorge Feitosa

https://acervojorgefeitosa.com

Instagram: @acervojorgefeitosa

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