Ter uma vaga disponível não significa encontrar um profissional pronto para ocupá-la. Em Santa Catarina, que tem a menor taxa de desemprego do Brasil, empresas de diferentes setores estão revendo estratégias de contratação e assumindo a tarefa de formar a própria mão de obra. A dificuldade de encontrar trabalhadores com as competências necessárias tem levado organizações a investirem em capacitação interna, programas de aprendizagem e desenvolvimento de lideranças.
O cenário é resultado de um mercado de trabalho aquecido. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Catarina encerrou o segundo trimestre de 2026 com taxa de desemprego de 2,1%, a menor do país e 3,3 pontos percentuais abaixo da média nacional, de 5,4%.
“A baixa desocupação, embora represente um indicador positivo para a economia, também expõe um desafio para as empresas. Com menos pessoas disponíveis no mercado, encontrar profissionais com formação, experiência e disponibilidade compatíveis com as vagas pode exigir mais tempo e investimento” explica o presidente da ABRH- SC, Diego Martins.

Uma das respostas à escassez de profissionais tem sido a criação de programas de formação voltados às necessidades específicas das empresas, permitindo que o conhecimento técnico e o desenvolvimento de competências acompanhem as transformações dos negócios. Na Buschle e Lepper, por exemplo, o projeto Motorista de Caminhão Trainee prepara novos profissionais para uma atividade que exige habilitação específica, experiência e conhecimento operacional.
Esse movimento também aparece na expansão das escolas e universidades corporativas. Projetos como a Universidade Agricopel, a Universidade Corporativa BEL e as iniciativas de formação da Detroit, por meio do Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CEFAP), e do Grupo Passarela mostram como o aprendizado passou a integrar as estratégias de gestão de pessoas.
Prata da casa
Outra frente de atuação é a valorização dos profissionais que já fazem parte das organizações. Nesse modelo, o recrutamento interno deixa de ser apenas uma alternativa para preencher vagas e passa a integrar uma estratégia de desenvolvimento de carreira.
Empresas como CISER e Plasson apresentam iniciativas nessa direção, enquanto a Electro Aço Altona trabalha a conexão entre aprendizagem e retenção de profissionais. “São abordagens que colocam o desenvolvimento contínuo no centro das decisões de gestão de pessoas” afirma Martins.
Além de ampliar as possibilidades de crescimento dos colaboradores, a formação interna pode contribuir para preservar conhecimentos específicos das operações e reduzir a dependência de contratações externas.
Inclusão e novas gerações
Programas de aprendizagem e inclusão de pessoas com deficiência também ganham relevância nesse contexto. Entre os exemplos estão iniciativas da Involves e da Selbetti, associadas à proposta de ir “Além da Cota”, que ampliam a discussão sobre inclusão para além do cumprimento das exigências legais.
Enquanto iniciativas reunidas na categoria Jovem reforçam a atenção das organizações à formação de profissionais em início de carreira, à integração entre diferentes gerações e à preparação de futuros talentos.
Prêmio Ser Humano
Esses e outros cases de sucesso na gestão de pessoas estarão em evidência no próximo dia 12 de novembro, durante a cerimônia do Prêmio Ser Humano Santa Catarina 2026. Promovida pela Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina (ABRH-SC), a premiação, que chega à 16ª edição, ocorre em Gaspar.
O evento reconhece práticas de organizações voltadas ao desenvolvimento humano, à inovação e à gestão de pessoas. “Será o momento de reconhecer essas e outras organizações com ações inovadoras voltadas ao desenvolvimento da Gestão de Pessoas em Santa Catarina e assim valorizar as iniciativas e aqueles que fazem com que elas ocorram”, destaca a vice-presidente da ABRH-SC, Monica Gonzaga.

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