Downsizing ganha espaço nas decisões sobre moradia

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Durante décadas, o crescimento das famílias brasileiras foi acompanhado pela busca por imóveis maiores. Com a saída dos filhos de casa e a chegada de uma nova etapa da vida, parte da população madura começa a rever a relação com a moradia. Casas e apartamentos com cômodos pouco utilizados, custos de manutenção e uma estrutura planejada para uma configuração familiar que já mudou abrem espaço para imóveis menores e rotinas mais práticas.

O público maduro já representa uma parcela expressiva do mercado imobiliário brasileiro. Segundo o Raio-X FipeZAP do primeiro trimestre de 2026, 73% dos compradores de imóveis pesquisados tinham mais de 50 anos. Entre os potenciais compradores, esse percentual chegava a 71% e, entre os proprietários, a 77%. A idade média dos participantes foi de 56 anos, nove anos acima da média histórica da pesquisa. É nesse cenário que o downsizing, termo usado para designar a mudança voluntária para uma moradia menor, começa a ganhar espaço nas decisões sobre onde e como viver após os 60 anos. 

As transformações na composição dos lares brasileiros também contribuem para a compreensão desse cenário. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 18,9% das unidades domésticas do país eram compostas por apenas uma pessoa. Entre os responsáveis pelos domicílios com 60 anos ou mais, 28,7% viviam em unidades unipessoais. A saída dos filhos de casa, o divórcio e a viuvez estão entre os fatores relacionados por esse instituto a essa configuração.

A redução da metragem acompanha uma reorganização das prioridades nessa fase da vida. Manutenção do imóvel, segurança, localização, proximidade de serviços, facilidade de deslocamento e oportunidades de convivência passam a integrar uma decisão que também envolve o patrimônio, a rotina e o planejamento dos próximos anos.

Para Paula Lunardelli Guimarães, cofundadora da DOM Senior Living, esse comportamento já pode ser observado entre pessoas que chegam à maturidade com autonomia e começam a planejar onde e como desejam viver.

“Há uma geração que morou durante décadas em imóveis escolhidos para uma família com filhos em casa e hoje tem outra configuração familiar e outras prioridades. A decisão sobre a moradia acompanha essa mudança e considera fatores como praticidade, autonomia, convivência e o uso que aquela pessoa deseja fazer do próprio tempo”, afirma. “Então, a grande questão é:  você escolheria novamente este imóvel ou está apenas vivendo o que “restou” dele, acumulando… em vez de entender o que de fato importa para você hoje?”, questiona Lunardelli.

O downsizing também envolve uma revisão da relação com os bens acumulados ao longo da vida. Móveis, objetos, roupas e lembranças precisam ser selecionados quando a nova residência tem área menor. O processo pode envolver a venda, a doação, a divisão de itens entre familiares e a escolha do que permanecerá na nova casa, o que acrescenta uma dimensão afetiva à mudança.

A experiência pode ser observada entre os moradores do LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living, o primeiro empreendimento do segmento em operação em Santa Catarina. O residencial possui 110 apartamentos autônomos, com metragens entre 40 e 90 metros quadrados, além de restaurante, biblioteca, academia, piscina aquecida, áreas externas e espaços de convivência compartilhados.

A presença de ambientes compartilhados também influencia a percepção da metragem necessária no apartamento. “Quando há outros espaços incorporados à rotina, a área privativa assume uma função diferente. Restaurante, biblioteca, lounge com piano,  academia e áreas de convivência são extensões do cotidiano e permitem que o morador utilize diferentes ambientes ao longo do dia”, explica Paula.

O movimento ocorre em um país que envelhece rapidamente e no qual o público maduro já ocupa uma parcela relevante do mercado imobiliário. Para quem viveu boa parte da vida adulta em uma casa planejada para uma família maior, o downsizing pode representar uma decisão sobre como organizar o patrimônio, a rotina e o espaço nos próximos anos.

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