A história de oito famílias angolanas que atravessaram o Atlântico em busca de refúgio da guerra civil e chegaram a Itajaí (SC) em 1976 ganha novas vozes nas salas de aula da Rede Municipal de Ensino. Entre os dias 24 e 28 de agosto, o espetáculo de narrativa de histórias “Angola” realiza dez apresentações gratuitas em cinco escolas do município.
Vindas da província de Benguela, as famílias enfrentaram quase três meses de travessia em quatro embarcações, três delas pequenos barcos de pesca. Ao se estabelecerem em Itajaí, construíram suas vidas e contribuíram para a formação social e cultural da cidade. Essa trajetória de resistência e pertencimento é o ponto de partida do espetáculo, que entrelaça a história real às lendas tradicionais de Angola.
O projeto busca aproximar as crianças das narrativas tradicionais africanas e utiliza a contação de histórias como caminho para falar sobre memória, respeito, coragem e ancestralidade. Em “Angola”, a proposta também amplia o olhar sobre a presença africana e negra na formação de Itajaí.
A comunidade formada a partir dessas famílias reúne hoje mais de 250 pessoas naturais ou descendentes dos primeiros imigrantes e está entre as maiores populações angolanas fora de Angola.
O projeto “Circulação e Mediação do espetáculo Angola” tem patrocínio da Prefeitura de Itajaí e da Fundação Cultural de Itajaí, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com renúncia fiscal da ALS Logística.
Da história contada no palco à história vivida
Além das apresentações, o projeto promove cinco sessões de mediação pós-espetáculo, conduzidas pela artista e arte-educadora Deda Silveira e por Graça Fortes. Graça é angolana e chegou a Itajaí aos sete anos, integrando uma das famílias que fez a travessia em 1976.
Hoje professora aposentada, referência no movimento negro e diretora na Associação dos Naturais e Amigos de Angola (ANANG), Graça compartilhará com os estudantes memórias de quem viveu essa história e acompanhou a formação da comunidade angolana na cidade.
A proposta é ampliar a experiência do espetáculo e criar um espaço de conversa a partir da narrativa apresentada em cena. “É uma oportunidade de contar uma história que é de Itajaí, mas que ainda é pouco presente nas nossas narrativas. E, ao mesmo tempo, permitir que as crianças encontrem uma pessoa que viveu essa história e que ajudou a construir essa cidade”, destaca Mariana Feitosa, atriz e idealizadora do projeto.
Sobre o espetáculo
“Angola” é uma criação de Mariana Feitosa, que também assina a dramaturgia e atua em cena, com direção de Josiane Geroldi e interlocução artística de Giselda Perê. A pesquisa que embasa a dramaturgia tem como uma das fontes o podcast “Além do Atlântico”, da jornalista Adelaine Zandonai, além de relatos dos próprios angolanos que realizaram a travessia.
O espetáculo é bilíngue, feito simultaneamente em português e Libras, com a intérprete Maria Helena Almeida integrada à narrativa e às cenas, garantindo acessibilidade real ao público surdo, que é pensado na narrativa.
Sinopse
No oco do Baobá nasceu o mundo. De dentro dele brotam as lendas africanas, que narram a história de um povo que atravessou o mar de Angola até Itajaí, celebram o respeito aos mais velhos e a coragem de enfrentar desafios. O espetáculo tem duração de aproximadamente 40 minutos, classificação indicativa livre e idade recomendada de 6 a 11 anos.
Agenda
Todas as apresentações são gratuitas, com uma sessão pela manhã e outra à tarde:
24 de agosto (segunda-feira)
E.B. Mansueto Trés – Bambuzal
Duas apresentações, sem mediação
25 de agosto (terça-feira)
E.B. Antonio Ramos – Cordeiros
Duas apresentações, sem mediação
26 de agosto (quarta-feira)
Centro Educacional Prof. Cacildo Romagnani (CAIC) – Cidade Nova
Duas apresentações + mediação pós-sessão em cada turno
27 de agosto (quinta-feira)
G.E. Profª Maria Nilza Ferreira Evaristo – Espinheiros
Duas apresentações + mediação pós-sessão em cada turno
28 de agosto (sexta-feira)
E.B. Guilhermina Buchele Muller – Fazenda
Duas apresentações + mediação pós-sessão no período matutino

HALLO! Magazine surge em 2013, com edições impressas, com notícias orientadas à soluções, despertando interesse e engajamento de seus leitores e leitoras. Em 2022, já é multiplataforma (formatos impresso e eletrônico).


