Iluminação embutida vai além da estética e transforma a atmosfera dos ambientes

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Mais do que iluminar os ambientes, a luz também influencia o funcionamento do organismo. O ciclo circadiano, mecanismo biológico que regula o sono, a vigília e outras funções ao longo de aproximadamente 24 horas, é sincronizado principalmente pela exposição à luz. 

Por isso, projetos contemporâneos têm explorado diferentes fontes e temperaturas de iluminação para acompanhar os momentos do dia, favorecendo atenção e disposição ou relaxamento e desaceleração.

Essa abordagem também tem ganhado espaço na arquitetura, que substitui pontos únicos de luz por composições com luminárias embutidas e circuitos independentes. Com diferentes comandos, o mesmo ambiente pode receber iluminação mais ampla quando é necessário enxergar melhor ou apenas alguns pontos de luz nos momentos de descanso.

As arquitetas e urbanistas Isabelle Briz e Fátima Briz, sócias da Reger Arquitetura, exploram essa possibilidade por meio da arquitetura de cena, em que o mesmo espaço se transforma de acordo com o conjunto de luzes acionado.

“O funcional e o estético se juntam quando fazemos um projeto de iluminação inteligente. É possível ter uma iluminação para limpar a casa e enxergar tudo, outra para ler um livro e outra para um jantar mais intimista. Quando dividimos os circuitos, a pessoa pode acender apenas o cortineiro, a arandela ou o rodapé. São possibilidades diferentes para momentos distintos”, explica Isabelle.

Ao distribuir os pontos de luz de maneira estratégica e ocultar a fiação, as soluções embutidas contribuem para um visual mais limpo e sofisticado, sem abrir mão da funcionalidade, de acordo com as sócias.

Na cozinha, por exemplo, perfis de LED podem ser instalados sob os armários aéreos para iluminar diretamente a bancada ou sobre os móveis, direcionando a luz para o teto e criando um efeito indireto.

Além do gesso tradicional, a iluminação pode ser embutida em móveis, sancas, tabicas e rodapés invertidos. Para Fátima, o quarto é um dos ambientes que mais se beneficiam desse recurso.

“Se eu fosse escolher um local para usar e abusar de luzes embutidas, escolheria o quarto, pois no momento de relaxamento, tanto a cor quanto a incidência e o fato de a luz estar embutida conseguem trazer sensações tranquilas para o nosso corpo”, afirma.

Rodapés iluminados vão além da decoração

Entre as soluções presentes em projetos contemporâneos estão os rodapés invertidos iluminados. Além do efeito estético, em que a luz cria a sensação de que as paredes “parecem flutuar”, como descreve Isabelle, o recurso pode desempenhar uma função prática.

Rodrigo Gante, especialista em marketing e posicionamento de marca da Homeney Acabamentos, destaca o uso da iluminação em rodapés invertidos e modelos sobrepostos como balizador em corredores.

“O rodapé iluminado ajuda a visualizar obstáculos no caminho, o que pode ser interessante em casas com crianças e idosos”, explica.

Entre os modelos disponíveis, Rodrigo cita o Orion, que combina referências tradicionais e contemporâneas. Com a luz apagada, o rodapé mantém uma aparência convencional; quando acionado, acrescenta um efeito mais moderno ao ambiente.

A solução também pode ser adaptada a diferentes propostas. Nos quartos, uma luz mais quente e de baixa incidência pode facilitar a circulação durante a noite sem iluminar diretamente o rosto. Em projetos mais lúdicos, como quartos gamers, fitas de LED RGB permitem criar diferentes efeitos e cores que acompanham a iluminação do monitor.

Qualidade e instalação são fundamentais

A qualidade dos componentes elétricos é essencial para garantir não apenas o resultado estético, mas também a segurança da instalação. A Qualifio (Associação Brasileira para Qualidade de Fios e Cabos Elétricos),  que atua na conscientização sobre a qualidade e a segurança de fios e cabos elétricos, mantém desde 2025 um laboratório credenciado pelo Inmetro para realizar testes em condutores de baixa tensão. 

Segundo a associação, cerca de 70% dos cabos testados são reprovados nos testes de resistência elétrica, o que reforça a importância da escolha de produtos de procedência confiável. 

Por esse motivo, Fátima e Isabelle afirmam que preferem não prosseguir com um projeto quando o cliente opta por materiais de baixa qualidade.

“Já tive clientes querendo usar fios mais baratos e aí a gente abre para ver o diâmetro. Embora pareça normal por fora, dentro a quantidade de filamentos é inferior à metade de um cabo aprovado pelos órgãos de regulação. Eu não aceito seguir com materiais dessa qualidade”, diz Fátima sobre os riscos reais de superaquecimento e incêndio.

A preocupação com a qualidade se estende aos componentes utilizados em sistemas de LED. A Homeney Acabamentos promove treinamentos para arquitetos sobre a especificação e utilização dos produtos.

Segundo Rodrigo, a qualidade do perfil ou rodapé precisa ser acompanhada pela escolha adequada da fita de LED e da fonte. 

“É importante ter produtos de qualidade, especificar o elemento correto para cada lugar e fazer os cálculos adequadamente. Uma fita de LED, por exemplo, depende de uma fonte compatível. Se o cálculo for inadequado, tanto a fita quanto a fonte podem apresentar problemas”, alerta.

Outro cuidado é prever o acesso para manutenção. Componentes que exigem a destruição ou remoção inadequada de partes do acabamento para serem substituídos podem comprometer o projeto. “A dica é buscar produtos que sejam de fácil instalação e desinstalação e que tenham durabilidade, para que, ao trocar, fiquem da mesma forma”, frisa Fátima.

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