Maternidade vira ativo de posicionamento para empresárias e pode impulsionar negócios

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Se antes a maternidade era vista como um possível freio na carreira, hoje ela começa a ganhar outro papel entre mulheres que empreendem: o de ativo estratégico de posicionamento.

Para empresárias e profissionais que constroem suas próprias marcas, a experiência de ser mãe tem sido incorporada à identidade profissional — não como tema central, mas como parte da narrativa que reforça autoridade, diferenciação e conexão com o público.

Segundo a especialista em posicionamento de marca pessoal Petúnya Rébuli, o movimento está ligado à forma como o mercado passou a valorizar identidade e coerência na construção de negócios. “A maternidade pode fortalecer a marca pessoal quando ela evidencia competências reais, fragilidades e tomadas de decisão. Mas isso só funciona quando está alinhado com o que essa mulher entrega no negócio”, afirma.

Para ela, o erro é tratar a maternidade como estratégia isolada. “Não se trata necessariamente de transformar isso em conteúdo e virar uma influenciadora; mas entender como essa vivência compõe o seu posicionamento. Marca pessoal forte não se constrói pelo que você mostra, mas pelo que você sustenta”, diz.

De limitação a diferencial competitivo

A mudança de percepção acompanha transformações no próprio mercado de trabalho e no empreendedorismo feminino. Se, por muitos anos, a maternidade foi associada à redução de disponibilidade e crescimento profissional, hoje ela pode reforçar atributos valorizados em negócios liderados por mulheres.

Na prática, isso se traduz em posicionamento. “A maternidade pode comunicar maturidade, responsabilidade e capacidade de gestão. Quando isso é integrado à marca pessoal, deixa de ser uma questão privada e passa a fortalecer a percepção profissional e gerar identificação”, explica Petúnya.

Esse movimento já aparece em empresárias e influenciadoras brasileiras que incorporam a maternidade à própria imagem. É o caso da influenciadora Thanandra Torres, que viralizou nas redes ao expor a maternidade de forma espontânea e bem-humorada, reforçam como esse tema pode fortalecer uma marca pessoal quando existe autenticidade.

Para Petúnya, o diferencial está justamente na naturalidade da comunicação e na consistência dessa narrativa ao longo do tempo. “As pessoas percebem quando existe verdade. A conexão acontece porque outras mães se enxergam naquela narrativa. E uma boa marca pessoal precisa disso: verdade e conexão”, explica a especialista.

Maternidade também impulsiona mudanças de carreira

Além de influenciar o posicionamento, a maternidade também tem sido ponto de virada para muitas mulheres que decidem empreender.

É o caso da mentora de líderes Daiana Monteiro, que, após anos no ambiente corporativo, criou uma metodologia voltada ao desenvolvimento de comunicação e gestão para profissionais em cargos de liderança. “A maternidade me levou ao empreendedorismo pois ter mais tempo de qualidade com os meus filhos e poder acompanhar o crescimento deles é um valor muito importante para mim”, afirma. Ao longo da sua trajetória, passou a direcionar seu trabalho também para outras mães que buscam migrar do corporativo para os seus próprios negócios.

Para Petúnya, esse tipo de movimento tende a crescer. “A maternidade muitas vezes leva a uma revisão de prioridades. Quando essa transição é feita com estratégia, pode dar origem a negócios mais alinhados com a identidade e com o momento de vida da empreendedora”, afirma.

Posicionamento alinhado à identidade

Na avaliação da especialista, o principal ganho não está na exposição da maternidade, mas na coerência entre vida e marca pessoal.

“O que fortalece o posicionamento é a consistência. A maternidade pode ser um ativo quando ajuda a comunicar quem essa mulher é, como ela pensa e como se posiciona no negócio”, diz.

Segundo ela, em um mercado cada vez mais competitivo, a diferenciação passa menos por discurso e mais por identidade. “Negócios mais fortes são aqueles que conseguem transformar vivência em valor percebido. E a maternidade, quando faz parte da história, pode contribuir para isso”, conclui.

Confira pontos importantes para esse posicionamento:

  • Compartilhar experiências reais: dividir aprendizados, desafios e conquistas de forma verdadeira gera identificação e aproxima o público.
  • Entender o que conecta com a audiência: observar quais temas despertam interesse ajuda a construir conteúdos mais estratégicos e relevantes.
  • Transformar vivências em valor: situações do dia a dia podem virar dicas, reflexões, soluções e conteúdos úteis para outras mães.
  • Manter consistência entre discurso e prática: a imagem construída precisa estar alinhada com a rotina e com os valores transmitidos.
  • Preservar limites da vida pessoal: posicionar-se como mãe não significa expor tudo; estabelecer fronteiras também fortalece a imagem.
  • Ir além da maternidade: ser mãe pode ser parte importante da marca pessoal, mas não precisa anular outras competências e talentos.

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