Produção gaúcha “A Princesa Lavínia” debate racismo infantil e construção da autoestima negra

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O produtor, diretor e roteirista Vandré Ventura inicia um novo momento em sua trajetória no audiovisual brasileiro com o desenvolvimento de seu primeiro longa-metragem pela Savana Filmes. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo (LPG), marcando também a estreia do realizador como proponente em editais públicos. 

Com uma trajetória repleta de desafios nos bastidores do audiovisual, Vandré se torna o primeiro diretor de produção negro na capital gaúcha, que é o sul do Brasil. Agora, assume também a direção e o roteiro em um projeto que marca sua afirmação como realizador autoral. 

Intitulado A Princesa Lavínia, o filme explora as complexidades da infância negra a partir de um conflito central: o racismo sofrido por uma criança na escola após ser ridicularizada por se imaginar como uma princesa. A trama acompanha a reação da mãe, que decide transformar o aniversário da filha em um ato de afirmação. No entanto, ao buscar o tema “Rainhas Negras”, ela depara-se com a carência de referências, desencadeando uma jornada sobre identidade e afetos familiares.

“Este é um desafio ou um chamado já esperado que vai além deste universo que é observável, acredito que quem nos tornamos no caminho é a grande base pra poder sustentar o que vem depois do processo, arte é movimento, evitar o desafio é evitar a si mesmo”, comenta Vandré Ventura.

O projeto inaugura uma nova fase na carreira de Vandré Ventura e reforça o compromisso da Savana Filmes com narrativas que ampliam imaginários e tensionam estruturas no cinema brasileiro. Para o autor esse é um marco que representa não apenas o reconhecimento institucional do projeto, mas também a legitimação de uma voz autoral forjada a partir de vivências periféricas. E essa conquista simboliza pertencimento e afirmação intelectual em um setor que, historicamente, negou esse espaço a corpos como o seu.

Sob direção e roteiro de Vandré Ventura, a obra mergulha no existencialismo e na representatividade para narrar a jornada de afirmação de mãe e filha. Divulgação

“Nosso ori é convocado nas adversidades, é no caminho que a consciência amadurece e a coragem ganha corpo e vira construção, ignorar isso, é adiar a própria expansão e a LPG foi crucial com esse financiamento”, afirma.

Ao longo de sua carreira, o realizador acumulou experiências no cinema e na publicidade, sempre tensionando estruturas e propondo novos olhares sobre a produção audiovisual. Seu trabalho é atravessado por um compromisso ético e social, que se traduz em práticas como ações afirmativas em set, valorização de equipes negras e a construção de ambientes mais justos e inclusivos.

O desenvolvimento de seu primeiro longa sintetiza esse percurso, um projeto que nasce não apenas como obra artística, mas como gesto político e simbólico. Mais do que uma conquista individual, o projeto reverbera em seu entorno, fortalecendo uma cadeia criativa historicamente marginalizada. Para o realizador, cada avanço no audiovisual é também coletivo: “não foi só a Savana contemplada, mas todo um círculo familiar e simbólico que passa a ocupar esse espaço de existência e dignidade”.

Com o longa em desenvolvimento, Vandré Ventura projeta um ano de intensa atividade para a Savana Filmes, apontando seu compromisso com um cinema brasileiro mais plural, consciente e conectado às urgências do presente.

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