Por alguns minutos, Florianópolis olhou para cima. No cenário em que a cidade costuma ser fotografada de longe, Rafael Bridi desenhou uma nova imagem sobre a Ponte Hercílio Luz: a de um atleta caminhando em silêncio, a 85 metros de altura, sobre uma fita de apenas 2,5 centímetros de largura.
Na tarde deste sábado (16), o catarinense transformou o centenário do principal cartão-postal da capital em mais um capítulo de sua trajetória no highline. Bridi completou 605 metros entre a torre da Ponte Hercílio Luz e um edifício próximo ao acesso da ilha, em 28 minutos, e superou o próprio recorde de maior highline urbano das Américas. As imagens do desafio serão encaminhadas para validação oficial pela Associação Internacional de Slackline, a ISA, na sigla em inglês.
O plano inicial era ainda mais ousado: fazer ida e volta no trajeto, totalizando cerca de 1,2 quilômetro, e buscar o recorde mundial de highline urbano. A marca pertence atualmente ao estoniano Jaan Roose, que em 2024 atravessou 1.070 metros sobre o estreito do Bósforo, em Istambul. Mas, como costuma ocorrer nos esportes de altitude, nem tudo depende apenas da vontade do atleta. As condições climáticas e outros fatores incontroláveis fizeram a equipe adaptar a travessia.
Na ida, Bridi teve um desequilíbrio e caiu, ficando preso ao sistema de segurança. Por isso, apenas a volta, da torre da Ponte Hercílio Luz até o prédio, foi considerada para o recorde. Ainda assim, o percurso foi suficiente para superar a marca anterior, também dele, registrada em 2023, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, quando atravessou 515 metros a 114 metros do chão.





A nova marca veio em casa. E isso, para Bridi, mudou a dimensão da travessia. “Eu já fiz travessias em lugares muito extremos, mas estar em Florianópolis, na minha cidade, é diferente. Quando eu olhava para frente, via o desafio. Quando olhava ao redor, via a minha história. Ter minha família, meus amigos, minha equipe e tanta gente torcendo ali embaixo tornou tudo muito forte. Esse recorde tem uma energia que eu vou carregar para sempre”, afirma Rafael Bridi.
O sol e o pouco vento ajudaram a criar uma atmosfera quase suspensa sobre a cidade. Mesmo assim, o desafio exigiu controle absoluto. Em uma highline, cada passo depende da combinação entre respiração, leitura do vento, equilíbrio, resistência física e domínio emocional. A fita se move, o corpo responde e a paisagem, por mais bonita que seja, também impõe sua grandeza. “Lá em cima, não existe piloto automático. A gente precisa estar presente o tempo inteiro. A fita conversa com o corpo, o vento muda, a cidade aparece de um jeito que poucas pessoas vão ver. Foi uma travessia muito intensa, não só tecnicamente, mas emocionalmente”, descreve o atleta.
A montagem da travessia também teve participação internacional. Rafael Bridi contou com os norte-americanos Brian Logan Henning, Brandon Lee Proffitt e Sean Eric Englund, da Uncharted Lines, empresa especializada em grandes projetos de highline. O time já atuou em competições oficiais nos Estados Unidos, em projetos internacionais na China e no Thompson Springs Project, em Utah, com uma linha de 4,1 quilômetros.
“Uma travessia como essa exige técnica, leitura do ambiente e muita responsabilidade. A Ponte Hercílio Luz tem uma força simbólica enorme, e trabalhar ao lado do Rafael em um projeto desse tamanho, no coração de Florianópolis, foi muito especial”, afirma Sean Eric Englund.
A Ponte Hercílio Luz já havia marcado a trajetória de Bridi em 2020, quando ele realizou uma travessia durante as celebrações de reinauguração da estrutura. Seis anos depois, no centenário da ponte, o atleta voltou ao mesmo símbolo da cidade para ampliar a própria marca continental.
Apesar da mudança de rota e da impossibilidade de buscar o recorde mundial nesta tentativa, Bridi afirma que o objetivo segue vivo. A intenção é tentar superar ainda em 2026 a marca de Jaan Roose. “Eu vim preparado para buscar o recorde mundial e esse sonho continua. Hoje, a travessia tomou outro caminho, como muitas vezes ocorre no highline. A gente respeita o ambiente, respeita a segurança e entende o momento. Mas eu saio daqui com um novo recorde das Américas, com uma imagem muito bonita de Florianópolis e com ainda mais vontade de buscar o recorde mundial este ano”, destaca.
Atleta profissional de alto desempenho, empresário e produtor, Rafael Bridi acumula três recordes mundiais registrados no Guinness Book: o maior highline dentro de um vulcão ativo do mundo, no Monte Yasur, em Vanuatu; o highline mais alto do mundo em relação ao solo, realizado entre dois balões a 1.901 metros do chão, em Praia Grande, na Serra Catarinense; e a travessia a 1.008 metros de altura sobre o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, na Venezuela.
Agora, soma à trajetória mais um feito com o peso simbólico de ter sido realizado em casa: o maior highline urbano das Américas, no céu de Florianópolis.
Sobre Rafael Bridi
Rafael Bridi é atleta profissional de esportes em altura, empreendedor e um dos principais nomes do highline no mundo. Natural de Florianópolis, construiu uma carreira marcada por desafios de grande impacto visual e técnico, com recordes mundiais e projetos realizados em cenários emblemáticos no Brasil e no exterior. Tornou-se referência ao unir performance esportiva, segurança, turismo e produção de conteúdo em ações que aproximam o esporte de novos públicos. Também é fundador da Natural Extremo.
Patrocínio e apoio
O projeto do highline na Ponte Hercílio Luz conta com patrocínio da Prefeitura de Florianópolis, Columbia Sportswear Company, JB3, Magno Incorporadora, Mini Kalzone, Jô Cintra, Areia Bronze e RDO Empreendimentos. Tem apoio da Fundação Municipal de Esportes, Balance Community, Evoke, Publicar, AktionPaz, Amo Floripa, Master Brasil e Floripa Drone. A realização é da RB Produções e Ponto Eventos Especiais.

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