Rosane Girardi apresenta seu olhar sobre “Maturidade” na Mostra Artefacto Florianópolis

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Um estágio da vida que nem sempre tem a ver com faixa etária, mas com a capacidade de encarar os dias com certo equilíbrio. A arquiteta Rosane Girardi está novamente no elenco da Mostra Artefacto Florianópolis — esta é a quarta participação consecutiva da profissional —, onde apresenta sua interpretação para o tema “Maturidade”.

“Ao longo da minha trajetória, aprendi que um projeto não nasce apenas da técnica, mas também da escuta, da sensibilidade e do respeito à história de quem vai vivê-lo. Maturidade é fazer escolhas mais conscientes, valorizar o essencial e entender que o verdadeiro valor está na autenticidade. É quando a experiência nos permite simplificar sem perder profundidade e perceber que os detalhes mais discretos são, muitas vezes, os que deixam as marcas mais duradouras”, contextualiza a arquiteta.

É essa compreensão do tempo que Rosane transporta para o projeto por meio das escolhas de materiais, mobiliário e objetos que falam de permanência, acolhimento e novas possibilidades de viver o espaço.

Um inventário de significados

Para seu living “Abbraccio” — abraço, em italiano —, a intenção foi criar um lugar de convivência e resguardo das lembranças. A composição de materiais naturais ricos em texturas, mobiliário autoral e arte contemporânea conflui com serenidade no mesmo espaço. 

“A ardósia reveste o piso, trazendo solidez e naturalidade, enquanto o quartzito Allure, aplicado em diferentes formatos, cria um desenho dinâmico que imprime movimento à parede da sala de jantar. Na lareira, revestida em mármore Ceppo di Gré, trabalhei uma composição ritmada, evidenciando a beleza singular da pedra”, conta.

O mobiliário estruturado em madeira natural é revestido com tecidos de diferentes tramas e texturas, elevando propositalmente a percepção tátil como parte da experiência presencial. Os metais com acabamento escovado acrescentam refinamento, enquanto a transparência dos vidros das peças decorativas e o espelho fumê da moldura Orbit ampliam a sensação de profundidade.

“O resultado é um ambiente acolhedor, elegante e atemporal, onde a materialidade se torna protagonista e cada elemento contribui para uma experiência sensorial marcada pela harmonia e pela permanência”, pontua.

Um sofá nunca é só um sofá

A tipologia de um estofado determina a maneira como as pessoas ocupam e vivem o espaço — e o quanto se sentem à vontade nele. Por isso, o sofá Baco, com sua forma generosa e configuração flexível, representa a liberdade de quem gosta de rearranjar o cotidiano. Mudar os módulos de lugar, experimentar outras composições e permitir que o ambiente acompanhe diferentes momentos da vida. Para Rosane, a ideia de que uma peça possa atravessar o tempo sem permanecer exatamente a mesma traduz uma prática que há muito orienta seu escritório.

“Isso também é maturidade: preservar a essência, mas manter a liberdade de mudar, de se adaptar e de encontrar novos formatos. Além disso, sua forma acolhedora representa algo que valorizo cada vez mais: os espaços de encontro, de convivência e de permanência.”

O mesmo pensamento orientou a escolha das cadeiras Jackie para acompanhar a ampla mesa de jantar Halston II. Confortáveis e elegantes, elas convidam a permanecer à mesa por mais tempo.

Mais do que um lugar destinado às refeições, a composição reafirma a sala de jantar como cenário especial para o encontro. Para Rosane, representa o prazer de compartilhar histórias, celebrar vínculos e construir novas memórias ao redor da mesa.

Fotos: Lauro Maeda

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