Muito presente no imaginário do cinema, o sótão costuma aparecer como um espaço multifacetado e repleto de significados. No filme Diário de uma Princesa, a área abriga o quarto da protagonista, interpretada pela atriz Anne Hathaway, enquanto em Jumanji surge como depósito onde se encontra o jogo que envolve a trama.
Embora ainda não seja um cômodo muito comum nas residências brasileiras, cresce o número de propostas que buscam ampliar a área útil sem alterar a ocupação do terreno. Concentrado sob o telhado e frequentemente iluminado por pequenas janelas ou claraboias, o sótão costuma ser uma área pouco aproveitada, mas que pode ganhar novos usos por meio de um planejamento adequado.

Para o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier que leva seu nome, esse tipo de intervenção exige uma atenção redobrada desde o início do projeto. “O sótão é um ambiente que exige planejamento desde a estrutura do telhado até o conforto térmico. Quando bem executado, amplia a área útil e cria ambientes muito agradáveis de usar”, relata.
O que define um sótão?
Antes de pensar nos usos, o profissional pontua a importância de entender os motivos que levam a sótão a se configurar como esse espaço tão interessante. Dentre as principais características estruturais que influenciam diretamente no resultado, ele pontua:

· Pé-direito variável, que acompanha a inclinação do telhado, incide em alturas mais altas e mais baixas, exigindo soluções inteligentes de layout.
“Nem toda a área apresenta uma altura confortável para circulação, então o mobiliário precisa ser sob medida”, comenta Paulo.
· Aproveitamento de área, tradicionalmente, ele aponta que o telhado era considerado apenas um vazio técnico. Entretanto, com ajustes na altura da cobertura é completamente viável executar um ambiente funcional sem grandes mudanças na volumetria da casa.
· Iluminação natural por meio de claraboias e janelas posicionadas no plano do telhado.
· Isolamento térmico, indispensável por estar diretamente sob o telhado, o sótão está mais exposto às variações de temperatura.
“Sem um bom isolamento, o ambiente pode se tornar quente demais no verão e demasiadamente frio inverno. O conforto térmico é essencial para o projeto”, frisa.
Fase do projeto
Como nem toda residência comporta um sótão de forma natural, o arquiteto começa analisando a relação entre o telhado e o estilo arquitetônico do projeto. Para ele, casas com telhados inclinados costumam oferecer as melhores oportunidades.

Mesmo em casas já construídas, é possível adaptar o telhado para viabilizar o uso do sótão. Para tanto, Paulo instrui sobre o aumento discreto da altura do telhado para que o espaço interno ganhe uma nova configuração.
“Quando o sótão nasce junto com o projeto arquitetônico, ele se integra melhor ao conjunto da casa, deixando de ser um acréscimo improvisado para ajustar como uma extensão natural”, diz.
Sobre a escada
Além das questões estruturais, um dos pontos mais importantes ao planejar um sótão está no acesso ao ambiente, pois a escada é na maioria das vezes o maior desafio do projeto. Quando o sótão faz parte da concepção original da casa, é possível reservar um local adequado para a circulação vertical, mas já em reformas ou adaptações posteriores, a inserção da estrutura exige criatividade.

“Todo sótão dá uma dor de cabeça com o acesso. Quando ele é pensado no projeto, fica mais fácil resolver, mas quando ele surge depois, como acontece em algumas obras, é preciso encontrar soluções sob medida para encaixar a escada no espaço existente”, reflete Paulo, que complementa que não é só ter um espaço de sótão que está tudo bem, a escada é uma questão importante e precisa ser bem resolvida para que o ambiente funcione de verdade no dia a dia.
Vantagens e ganhos
Como dito, uma das principais vantagens do sótão é a capacidade de ampliar a área útil da casa em configurações que passam a integrar a rotina da família como um quarto para hóspedes, home office, aproveitando o caráter mais reservado do ambiente, sala de jogos ou TV ou outras finalidades como a música, leitura ou meditação.

“O sótão tem um caráter naturalmente acolhedor. Ele não é aquela visão de quarto escuro com mofo que vemos em muitos filmes, mas sim uma extensão da casa”, afirma o profissional.
Dicas de decoração
Chegado o momento de decorar o sótão, o primeiro tópico abordado pelo arquiteto é a iluminação. “Como a luz natural costuma entrar por pontos específicos, é fundamental complementar com iluminação artificial bem distribuída, seja com luminárias de apoio, ou com pontos indiretos, para deixar o ambiente mais aconchegante”, completa.

Já para a paleta de cores, ele sugere tons claros e neutros que contribuirão para refletir a luz e tornar o ambiente mais leve, enquanto materiais naturais como fibras, palhinha e madeira atribuem um clima mais charmoso. Outro ponto essencial é a organização com uso de marcenaria sob medida para manter o ambiente livre e funcional.
Sobre o Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni
Para o arquiteto Paulo Tripoloni, nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.
Instagram: @paulotripoloni
Site: www.paulotripoloni.com.br

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