Tecnologia muda perfil dos profissionais mais valorizados pelas empresas

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Quanto mais a tecnologia avança, menos sentido faz pensar que o futuro do trabalho será feito apenas por especialistas isolados em suas próprias áreas. A inteligência artificial analisa dados, a automação executa tarefas e os sistemas digitais transformam processos inteiros. Mas alguém ainda precisa entender o problema, conectar informações e decidir o que fazer com tudo isso.

A trajetória do profissional de robótica Bruno de Freitas Gai ajuda a traduzir essa mudança de forma concreta. Aos 10 anos de experiência em gestão e execução de projetos de robótica industrial, ele soma atuação internacional, certificações voltadas a grandes montadoras e projetos realizados para empresas como Audi, Volkswagen, General Motors, Volvo, Scania, Renault, CNH e Electrolux.

Mas o trabalho de Bruno está longe de ser apenas programar robôs. Natural do Rio Grande do Sul e criado no Paraná, ele entrou em contato com a automação ainda na adolescência, no laboratório da empresa fundada pelo pai, Geraldo Machado Gai. Foi em São José dos Pinhais, um dos principais polos automobilísticos do país, que mergulhou definitivamente nesse universo.

Hoje, seu trabalho acompanha todas as etapas de um projeto: da concepção à entrega. Antes de um robô entrar em operação, é preciso definir sua posição, projetar ferramentas, simular movimentos, validar trajetórias, integrar sensores, testar sistemas de segurança e fazer toda a célula funcionar de maneira integrada.

É uma atividade em que conhecimento técnico é indispensável, mas não suficiente. “Meu trabalho não se resume à programação de um robô. É preciso compreender o problema industrial como um todo, analisar as diferentes variáveis envolvidas, integrar tecnologias e encontrar uma solução que seja tecnicamente viável, eficiente e aplicável à realidade da operação. No fim, o valor está justamente em transformar uma demanda complexa em uma solução que funcione de forma consistente no mundo real”, explica Bruno.

A experiência internacional reforça essa dimensão. Ao longo da carreira, ele participou de trabalhos e projetos na Alemanha, China, Estados Unidos, Argentina, Espanha, Bélgica e Paraguai. Também acumulou certificações relacionadas a padrões utilizados por grandes montadoras, incluindo formações ligadas à Audi Academy, Volkswagen Akademie Wolfsburg e à certificação Global Robot Specifications da General Motors.

O percurso de Bruno revela, na prática, uma mudança que já aparece nos números. Em 2024, a indústria mundial instalou 542 mil robôs industriais, mais que o dobro do volume registrado dez anos antes, segundo a International Federation of Robotics. A automação cresce, e, com ela, cresce também a necessidade de profissionais capazes de fazer diferentes tecnologias trabalharem juntas e resolver problemas que não chegam prontos.

Muito além da fábrica

O desafio que Bruno enfrenta dentro de uma indústria aparece, com outra configuração, na trajetória da jornalista Ana Lanuci Chaves. A trajetória da jornalista Ana Lanuci Chaves é também um exemplo desta tradução profissional. Com mais de 17 anos de experiência em negócios, tecnologia, marketing, operações digitais e liderança, ela construiu uma carreira marcada pela capacidade de conectar diferentes áreas e transformar essa visão em resultados.

Na American Express, sua atuação contribuiu para um aumento de 25% no lucro corporativo anual. No Kumon Brasil alcançou crescimento médio de 12% nas matrículas por campanha. Já na Sistematech, liderou projetos de tecnologia para dez grandes contas corporativas. Um crescimento profissional semelhante ao do Bruno, embora ambos tenham acesso a ferramentas sofisticadas, sabem que os resultados dependem de quem consegue compreender o contexto e fazer as diferentes partes funcionarem juntas.

Uma transformação que também aparece no campo

A mesma transformação aparece ainda mais distante: na bovinocultura. A zootecnista Letícia Wink trabalha na fronteira entre conhecimento técnico, inteligência artificial e análise de dados. Em uma operação que reúne mais de 1.400 fazendas espalhadas pelo país, são processadas mais de 1.500 informações por minuto sobre cada ganho de um rebanho.

Dados coletados por meio de coleiras permitem identificar padrões de comportamento e desempenho e transformá-los em indicadores que ajudam a orientar decisões de manejo e produtividade. Assim como na robótica de Bruno e nos projetos de transformação digital de Ana, a tecnologia não elimina a necessidade do profissional. Ela amplia sua capacidade de atuação.

“Hoje, conseguimos transformar um volume enorme de dados em informação que realmente ajuda na tomada de decisão. A inteligência artificial não substitui o conhecimento do profissional; ela amplia a nossa capacidade de interpretar o que está acontecendo e agir de forma mais rápida e precisa”, explica Letícia.

O que muda no profissional?

As três histórias acontecem em ambientes completamente diferentes, onde o ponto em comum está justamente naquilo que acontece entre uma competência e outra. A 16ª edição do Pulse of the Profession, do Project Management Institute (PMI), publicada em maio de 2026, mostra que 97% dos profissionais de projetos administraram pelo menos um projeto considerado complexo no último ano. O estudo aponta ainda que profissionais capazes de gerenciar efetivamente essa complexidade aumentam em cinco vezes a probabilidade de sucesso.

Não é apenas a complexidade que cresce. O Global Project Management Talent Gap, publicado pelo PMI em 2025, estima que o mundo poderá precisar de até 29,8 milhões de profissionais adicionais ligados a projetos até 2035.

O movimento indica que a especialização continua importante. O que está mudando é a expectativa sobre o que vem depois dela. Bruno aprendeu isso entre robôs, sensores, programação e projetos industriais. Ana, entre negócios, processos e transformação digital. Letícia, entre animais, dados e inteligência artificial. No mercado que está surgindo, o diferencial pode estar justamente na capacidade de conectar aquilo que, até pouco tempo atrás, parecia não ter conexão.

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