Wine South America abre sua maior edição com recorde de expositores

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Bento Gonçalves, Capital Nacional do Vinho, é o epicentro dos negócios do setor vitivinícola até quinta-feira, 14 de maio. A sexta edição da Wine South America foi aberta oficialmente na tarde desta terça-feira (12), reunindo lideranças setoriais, entidades governamentais e personalidades do mundo do vinho. A edição chega em um momento especialmente favorável para o setor: em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou R$ 21,1 bilhões, crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior, impulsionado pela valorização de produtos de maior qualidade e pelo aumento do tíquete médio. A solenidade de abertura da WSA contou com a presença do prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli, do cônsul-geral da Itália em Porto Alegre, Valério Caruso, e do vice-presidente do Grupo Veronafiere, Romano Artoni, entre outras autoridades.

A expectativa para esta edição é superar em 10 a 15% o volume de negócios do ano anterior, chegando a R$ 110 milhões gerados ao longo dos três dias. Para isso, a feira conta com mais de 2.000 reuniões comerciais previstas e a presença de cerca de 7 mil compradores e especialistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

“O Rio Grande do Sul ainda concentra 80% da produção vinícola nacional, e trazer um evento desta magnitude para a capital do vinho valoriza não só o produto local, mas também o enoturismo e o esforço de empreendedores gaúchos e brasileiros que trabalham para elevar a qualidade do setor. A WSA é o lugar onde micro, pequenos, médios e grandes produtores podem mostrar seus diferenciais de terroir lado a lado, compartilhando o mercado com produtores internacionais de igual para igual. Isso é o que nos coloca em outro patamar”, define o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Jones Valduga.

O cenário internacional também marca presença. Rótulos de mais de 20 países estão na feira, entre eles Alemanha e Nova Zelândia, que estreiam na WSA, enquanto Itália e Portugal praticamente dobram sua participação. A presença italiana é especialmente expressiva: 32 empresas de 14 regiões do país desembarcam em Bento Gonçalves, representando desde vinícolas artesanais até grandes grupos cooperativos, com uma produção conjunta de mais de 62 milhões de garrafas anuais. O interesse crescente coincide com a entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul, tornando a feira o primeiro grande termômetro do setor diante do novo cenário competitivo. Da América do Sul, Argentina, Chile e Uruguai reforçam a vocação latino-americana do evento, consolidando a WSA como um dos principais pontos de encontro do vinho do continente.

Do outro lado, o vinho brasileiro responde com diversidade. A edição consolida uma expansão geográfica sem precedentes: são mais de 280 marcas nacionais, vindas de nove estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Brasília, Minas Gerais e Espírito Santo). Do semiárido nordestino, onde o Vale do São Francisco produz uvas o ano inteiro às margens do Rio São Francisco, ao Cerrado do Planalto Central, onde Brasília chega à feira pela segunda vez com rótulos premiados internacionalmente, a WSA de 2026 confirma o fato de que o vinho brasileiro não cabe mais só no Sul.

Goiás marca presença na Wine South America  com as Vinícolas Monte Castelo e São Patrício, em estande próprio com  pequenos produtores. O diferencial está no terroir: Carolina Santana, responsável pelas vinícolas, descreve o Cerrado como um ambiente de clima tropical de altitude, com solos profundos e bem drenados que conferem boa estrutura aos vinhos.

“A colheita é realizada no inverno, quando os dias ensolarados e as noites frias garantem uma maturação lenta, preservando a acidez e concentrando os compostos aromáticos”, explica. Para Carolina, estar na WSA é uma oportunidade estratégica para um terroir que ainda se apresenta ao mercado nacional. “A feira traz enorme visibilidade a uma região ainda pouco explorada e é uma ótima oportunidade de estabelecer parcerias e fazer novos contatos”, afirma.

Negócios: do primeiro contato ao fechamento

A geração de negócios é o principal motor da Wine South America, e o Projeto Comprador é uma das principais engrenagens desse processo. Iniciativa do Sebrae em parceria com a organização da feira, o programa reúne nesta edição 100 compradores de 19 estados brasileiros, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, em rodadas de negócios com 150 vinícolas expositoras. Em duas manhãs, cada produtor tem a oportunidade de apresentar seus produtos a compradores que dificilmente chegaria por conta própria.

“O grande benefício é justamente para as pequenas vinícolas, que teriam muita dificuldade de se conectar com esses compradores individualmente. São 15 minutos por reunião, tempo suficiente para apresentar o produto, o diferencial e a capacidade de produção. Nem sempre o negócio se fecha aqui, mas esse primeiro contato gera resultados que podem se concretizar nos meses seguintes”, explica Jackson da Luz, analista do Sebrae. Para ele, um indicador revela a força da proposta: “Os compradores nos procuram para participar, temos muita gente nos acionando para estar aqui. Isso significa que estão encontrando bons produtos e acreditando nesse formato”, define.

O alinhamento entre oferta e demanda ficou evidente já nas primeiras rodadas. A Vinícola A. Dequigiovanni, que estreia na WSA com um Marselan 2025 de apenas 293 garrafas, conversou com boutiques de vinho e pequenos restaurantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. “As ideias cruzaram com a nossa proposta e com o que eles buscavam. Somos produtores de pequenos lotes, ou seja, nossos rótulos não estão no mercado de massa, e isso foi exatamente o que eles queriam”, conta Patrícia Pedrotti, da vinícola. “Foi um casamento perfeito. Adoramos as reuniões, foram direcionadas com marcas que realmente fizeram sentido”, detalha.

Grade triplicada de conteúdo

A Wine South America 2026 estreou com uma programação de conteúdo triplicada em relação à edição anterior, com painéis, Wine Talks e workshops que reúnem produtores, distribuidores, varejistas e especialistas ao longo dos três dias. No primeiro dia do evento, o Wine Summit recebeu um dos debates mais aguardados da feira: o painel ‘O Raio-X do Mercado de Vinhos: Onde Estamos e Para Onde Vamos até 2027’, mediado por Diego Bertolini, do Grupo Venda Mais Vinho, com Felipe Galtaroça (Ideal BI), Eugênio Cue (Del Maipo), Eduardo Valduga (Casa Valduga) e Claudio Pinto (Supermercados Zona Sul).

Os dados da Ideal BI deram o tom: o consumo per capita no Brasil voltou a 3 litros anuais, crescimento de 7% sobre o ano anterior e de 35% na última década, com Sul e Sudeste acima da média nacional, em 6 e 4 litros respectivamente. Os espumantes atingiram nova máxima histórica, com 4,5 milhões de caixas, impulsionados pela produção nacional – e as mulheres já representam 57% do público consumidor da categoria.

Para o empresário Eduardo Valduga, o setor deixou de produzir apenas para sobreviver e passou a construir marca e identidade: “Hoje existe uma preocupação muito maior com terroir, técnica e posicionamento de mercado”, afirmou. Felipe Galtaroça reforçou que o crescimento passa pela profissionalização: “Um negócio de vinhos hoje envolve e-commerce, loja física, relacionamento e experiência funcionando de forma integrada.”

Sobre a Wine South America

A Wine South America ocorre de 12 a 14 de maio, na Serra Gaúcha, em Bento Gonçalves (RS), conhecida como a capital brasileira da uva e do vinho. A região abriga a Denominação de Origem Vale dos Vinhedos e o município vizinho de Pinto Bandeira, primeira DO de espumantes do Novo Mundo. Organizada pela Milanez & Milaneze, subsidiária da Vinitaly – que realiza a maior feira de vinhos do mundo em Verona há mais de 55 anos -, a WSA reúne em um único ambiente mais de 400 marcas nacionais e internacionais, com rótulos de mais de 20 países.

A Wine South America tem o patrocínio de SEBRAE, Prefeitura de Bento Gonçalves, Sicredi, Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Badesul – Agência de Fomento do Rio Grande do Sul e, CAIXA e Governo do Brasil. Tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil. Apoio CONSEVITIS-RS E SEAPI, termo de colaboração 4837/2022.

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