Do Senna ao Jeddah Tower: construtores dos maiores gigantes da engenharia mundial se encontram na Arábia Saudita

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Separados por milhares de quilômetros, dois canteiros de obra compartilham o desafio de superar marcas da construção civil mundial. Em Balneário Camboriú (SC), o Senna Tower avança para alcançar mais de 550 metros, sendo o edifício residencial mais alto do planeta. Na Arábia Saudita, o Jeddah Tower é construído para ultrapassar um quilômetro de altura, se tornando o prédio mais próximo de “arranhar o céu”. 

Para compartilhar experiências e conhecer de perto a magnitude da obra saudita, uma comitiva da FG Empreendimentos, da Talls Solutions e da PWD visitou o canteiro em setembro – quando o Jeddah Tower já ultrapassava 116 pavimentos e alcançava cerca de 466 metros de altura.

A comitiva brasileira foi recebida por Ian Norman Miller, diretor executivo sênior de projeto do Jeddah Tower, e acompanhou a concretagem no topo do núcleo estrutural, além de participar de reuniões com as equipes de engenharia e de fachada. O acesso ao canteiro é restrito e extremamente exclusivo.

“Foi o encontro de quem constrói o edifício mais alto do mundo com quem constrói o residencial mais alto do mundo. São duas equipes que estão transformando os limites da engenharia em realidade”, afirma Gustavo Simas, diretor de obras da FG.

A agenda aproximou profissionais que precisam resolver questões como o transporte de concreto a centenas de metros do solo, o desempenho dos materiais, a movimentação de equipamentos e a coordenação das atividades em um canteiro que cresce verticalmente. Entre os especialistas que receberam a comitiva estavam profissionais que participaram da construção do Burj Khalifa, em Dubai, atualmente o edifício mais alto do mundo.

De Dubai à nova fronteira saudita

Referência para o desenvolvimento dos arranha-céus da FG, Dubai mostrou como edifícios de grande altura podem se tornar símbolos de transformação urbana e projeção internacional. Na Arábia Saudita, o Jeddah Tower integra a Jeddah Economic City, distrito planejado ao norte da cidade saudita.

Para Stéphane Domeneghini, diretora executiva e cofundadora da Talls Solutions, a visita conecta equipes que enfrentam desafios semelhantes em contextos distintos e amplia a discussão sobre o papel desses empreendimentos nas cidades.“O Jeddah Tower é, para nós, um projeto irmão. Fomos a Jeddah para uma troca no mesmo nível, entre equipes que enfrentam os mesmos desafios em realidades diferentes. O Brasil está apostando alto, como Dubai fez”, afirma. Na avaliação da engenheira, a relevância dessas construções ultrapassa seus recordes de altura.

“Edifícios como o Jeddah e o Senna são marcos de um tempo. Eles dizem ao mundo que uma cidade e um país decidiram mudar de patamar. O Senna é essa âncora para Balneário Camboriú, para Santa Catarina e para a engenharia brasileira”, acrescenta.

Engenharia a quase meio quilômetro do solo

Na etapa acompanhada pela comitiva, a concretagem do Jeddah Tower ocorria a quase 470 metros de altura. Para chegar até esse ponto, o concreto percorria linhas de bombeamento instaladas desde a base da torre, em uma operação que exige controle das propriedades do material e integração entre produção, transporte e aplicação.

Os brasileiros conheceram o laboratório de controle tecnológico do canteiro, observaram o funcionamento das fôrmas autotrepantes do núcleo e acompanharam os trabalhos de fachada. Entre as soluções para as condições locais estavam as capas térmicas utilizadas nas betoneiras para enfrentar o calor.

“Ver o ciclo de concretagem a quase 470 metros de altura, com a cadeia inteira funcionando, mostra que a obra é ganha no canteiro, todos os dias”, diz Maurício Brunz, gerente de obras da FG. 

As discussões sobre materiais contaram com o professor Luiz Roberto Prudêncio Jr. e o engenheiro Denis Weidmann, da PWD, que atuam na tecnologia do concreto do Senna Tower. O intercâmbio permitiu compartilhar experiências sobre os desafios dos dois empreendimentos, considerando as diferenças de clima, materiais, equipamentos e condições de execução.

“Estar no canteiro do Jeddah Tower muda a perspectiva sobre o que significa construir nessa escala. Ali, os cálculos e os projetos ganham dimensão real, e cada decisão de engenharia revela sua complexidade. Para quem enfrenta o desafio de erguer o Senna Tower, essa troca amplia nossa capacidade de enxergar soluções e antecipar desafios”, afirma Fatih Yalniz, diretor técnico da Talls Solutions. 

Pesquisa brasileira para construir acima dos 550 metros

No Senna Tower, enfrentar essa escala envolve pesquisas iniciadas em 2021 e o desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade brasileira. O trabalho reúne equipes de projeto e de execução, consultores e fornecedores, com estudos de materiais e testes em escala real. 

Uma das frentes é a fundação, desenvolvida com estacas de 60 centímetros de diâmetro e até 40 metros de profundidade, armadas em todo o comprimento. Outra é o concreto da estrutura, com resistência especificada de 100 MPa nos primeiros pavimentos, resultado de estudos sobre agregados, aglomerantes e aditivos. “É o jeito da FG. Investimos em gente, em pesquisa e em engenharia feita no Brasil. Em Jeddah, vimos uma equipe que pensa do mesmo jeito”, diz Gustavo Simas. 

Além de Stéphane, Yalniz, Simas, Brunz e dos representantes da PWD, participaram da visita Mario Merolli, diretor de engenharia da FG, e integrantes das equipes de projetos e de gestão do Senna Tower. 

As viagens técnicas fazem parte de uma estratégia de desenvolvimento profissional incentivada pelo presidente da FG, Jean Graciola; “Investir em engenharia é investir nas pessoas que tornam esses projetos possíveis. Estar no Jeddah Tower, discutir soluções com seus profissionais e trazer esse aprendizado para os nossos canteiros faz parte da capacidade que estamos construindo na FG. O Senna Tower nasce dessa visão de longo prazo: formar equipes e desenvolver conhecimento para realizar no Brasil o que antes buscávamos como referência no exterior”, afirma Jean Graciola, presidente da FG Empreendimentos.

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